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Índios querem nova auditoria na Funai

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Revoltados com imparcialidade da comissão da Funai, indígenas falam em nova ocupação e não descartam violência

Iconformado com o resultado da auditoria que inocentou o administrador da Funai, em Bauru, Rômulo Siqueira de Sá, um grupo de indígenas foi a Brasília em busca de apoio parlamentar para que se faça uma nova análise nas contas da entidade. Desta vez, eles querem que o agente fiscalizador seja o Tribunal de Contas da União e não a própria Funai.

Requerimento nesse sentido foi encaminhado pelo deputado federal Celso Russomano (PPB) à Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias, da qual é membro, no Congresso Nacional.

Estiveram presentes ao gabinete do deputado índios das tribos do Vale do Ribeira e do Centro-Oeste paulista (entre elas a de Avaí).

Desde que o relatório da comissão, chefiada por Marco Antônio Xavier Levay, foi divulgado pela imprensa, uma parte dos índios paulistas - majoritariamente formada pelas etnias guarani e terena - mostraram-se inconformados com o resultado. Principalmente, depois que souberam que dois funcionários da Funai/Bauru, supostamente ligados ao grupo, foram os únicos suspeitos encontrados pela comissão.

Eles foram acusados de serem coniventes com a invasão do prédio da Funai, ocorrido em 20 de fevereiro último. A invasão foi realizada pelo mesmo grupo que foi até Brasília, no fim do mês passado.

Os índios aproveitaram a viagem para entregar um abaixo-assinado, com aproximadamente 300 assinaturas, a um dos diretores da Funai, em nível nacional, Wilton Madson Andrada, que se comprometeu a entregar o documento ao presidente da entidade, Glênio da Costa Alvarez.

Nós queremos que se averigue os fatos de maneira responsável, sem inclinações corporativas, buscando a lisura e o respeito às classes menos favorecidas, diz o texto que antecede as assinaturas, muitas delas composta apenas com a impressão digital do autor.

No mesmo documento, o grupo que não aceita mais a permanência do atual administrador, em Bauru, recomenda o nome de Leonardo Bispo de Sá para suceder Rômulo.

Apesar dos sobrenomes idênticos, Anildo Lulu, porta-voz do grupo, garante que não há parentesco entre os dois. Leonardo, segundo consta de documentos apresentado pelos índios, é técnico agropecuário e cursa o 5º ano de Direito, na Instituição Toledo de Ensino (ITE), em Bauru.

Ameaça

Caso as novas tentativas dos indígenas, em afastar o atual administrador Rômulo Siqueira de Sá, não apresentem os resultados esperados, Anildo Lulu não descarta a hipótese de uma nova invasão ao prédio da Funai. Desta vez, se for preciso nós vamos usar de violência, ameaçou.

Em uma demonstração de desespero, Anildo revelou que pensa até mesmo em fazer refém, em uma próxima investida. A gravidade da ameaça não o intimida. Estão nos forçando a isso, argumentou.

Aguardando votação

De acordo com o chefe de gabinete do deputado Celso Russomano, George Duarte, o requerimento pedindo a intervenção do TCU nas contas do ano passado da Funai/Bauru foi encaminhado à Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias, mas ainda não foi apreciado pelos deputados.

Segundo ele, a tentativa do Governo Federal de neutralizar os efeitos do Código de Defesa do Consumidor, para poder punir os consumidores que não economizarem os 20% de energia elétrica, mereceu atenção total do membros da comissão. Em razão disso, os deputados não teriam votado nada nas últimas três semanas.

Após o recuo do governo, que restabeleceu o Código, Duarte acredita que a comissão voltará à normalidade e o requerimento deve ser votado na próxima quarta-feira. Em caso de aprovação, ele deve ser encaminhado ao TCU para que a auditoria seja formalizada.

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