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Investimento social aumenta produtividade das empresas

Redação
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Empresas que investem em ações sociais ganham em produção e em conquista de consumidores. É o que afirma Hélio Perini, gerente de Responsabilidade Social da Ford, que esteve, ontem, em Bauru, ministrando uma palestra na Semana de Relações Públicas da Unesp. Perini e Daniel Garcia Alonso, diretor da Disbauto, falaram aos participantes do evento sobre a prática da responsabilidade social nas empresas.

Perini afirmou que as marcas das empresas, hoje em dia, constroem-se não só pela imagem e qualidade do produto, como também pelo compromisso social que a entidade assume perante à sociedade. Os consumidores, portanto, cobrariam ações éticas como um diferencial para a escolha do produto. Antigamente, nós tínhamos uma percepção da empresa ligada ao produto. Era muito mais a imagem do produto que agregava o valor institucional e corporativo à marca. Hoje, as empresas contam com tecnologia muito similar, os produtos têm praticamente os mesmos preços e oferecem as mesmas qualidades e características para os consumidores. Então, procura-se um diferencial para agregar valor à marca. A ética é uma ferramenta de pressão por parte do consumidor e faz com que as empresas voltem-se um pouco mais para o lado social, afirmou.

Além disso, as empresas socialmente responsáveis buscam não só melhorar o relacionamento com a sociedade, tornando-se uma empresa cidadã e sensível aos problemas sociais da comunidade onde se insere. Elas estariam também ligadas a ações sociais e procurando melhorar o compromisso e o envolvimento do empregado com a empresa. Desta forma, o empregado se sentiria valorizado por trabalhar numa empresa que permite que ele tenha um crescimento de valores morais, de acordo com Perini. Os jovens talentos buscam uma empresa diferenciada, que permita que ele cresça pessoalmente, como indivíduo. Aumenta a motivação. Ou seja, valores sociais agregados à marca trazem uma motivação. Os empregados voltam-se muito mais para a empresa, dedicam-se mais, são mais comprometidos. Com isso, a empresa ganha em qualidade, em competitividade e também em produtividade, enfatizou.

Dados do Instituto de Pesquisa e Estatística Aplicada do Ministério do Planejamento mostram que 67% das empresas do Sudeste brasileiro estão envolvidas em ações sociais, 55% do Nordeste e 46% do Sul. Essas empresas indicaram que vão manter ou vão expandir os investimentos na área social, nos próximos anos. Faz parte da gestão de negócios das empresas a inserção social, observou o representante da Ford.

Marketing

Questionado quanto à existência de estratégias de mar-keting por parte de empresas interessadas em conquistar um grande filão do mercado com o discurso da responsabilidade social, Perini não negou a possibilidade de falsas preocupações sociais. No entanto, disse acreditar que o consumidor concentra em suas mãos a grande arma capaz de fazer a distinção adequada. A universidade tem um papel fundamental nisso porque ela não forma mais técnicos, e sim cidadãos. É lógico que existem antagonismos: empresas que se dizem socialmente responsáveis e que fazem as ações sociais de forma caricativa. Mas isso é o início de um processo. Nós temos que tolerar isso, mas eu acredito que, num futuro muito próximo, essas empresas vão ser excluídas do negócio, porque o consumidor vai exigir, cada vez mais, responsabilidade social por parte delas, ressaltou.

Palestra

Na palestra ministrada por Hélio Perini, que seguiu a exposição de Daniel Garcia Alonso, diretor da Disbauto, o profissional abordou o conceito de responsabilidade social, salientando a importância da disseminação dessa prática junto a outras empresas - para que sigam o exemplo - e junto à sociedade, que tem o poder de exigir esse compromisso das empresas. A proposta é mobilizar os estudantes a pensar sobre o assunto; mobilizar as empresas a continuar investindo, aumentar o investimento e tornar isso parte da gestão dos negócios. A idéia é essa: disseminar o conceito, disse`.

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