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Para especialista, energia solar tem baixo rendimento e alto custo

Redação
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Apesar do efeito poluidor e do alto custo de produção, as usinas termoelétricas são a forma de produção de energia que mais se adequa à região de Bauru. A informação é do professor Luiz Gonzaga Porto, que ministra a disciplina Racionalização de Energia Elétrica, na Unesp de Bauru. Ele descartou as formas de produção de energia eólica (que aproveita a potência do vento), solar e hidroelétrica em escala comercial por não se adaptarem às condições da região ou pelas desvantagens que as opções trariam.

Na produção eólica, uma máquina composta por pás, dispostas de forma semelhante a um cata-vento, aproveita a potência da velocidade do vento para girar as pás, cuja potência mecânica é convertida em potência elétrica, através de um gerador elétrico. Quanto maior forem as pás (algumas chegam a medir 70 metros de diâmetro) e a torre que as sustenta, maior é a quantidade de vento necessária para gerar energia.

De acordo com Porto, a condição principal para que haja possibilidade de instalação de uma turbina eólica para produção de energia elétrica com capacidade comercial é a existência de ventos constantes e com alta velocidade. Não adianta ter vento durante uma hora por dia. A necessidade é que se tenha ventos regulares, constantes, e que tenha velocidade determinada, afirmou.

Ventos com velocidades superiores a 7 metros por segundo são viáveis para bombas e geradores eólicos. Geradores eólicos isolados ainda podem funcionar com ventos de 4 a 6 metros por segundo de velocidade. Já os ventos com velocidade de 3 a 4 metros por segundo, podem ser opção para tocar bombas eólicas, mas seriam inviáveis para geradores. Quando a velocidade é inferior a 3 metros por segundo, geradores e bombas são inviáveis, de acordo com Porto.

Ainda que muitos acreditem que uma das características de Bauru é a grande quantidade de ventos, eles não têm características suficientes para a produção comercial de energia. Na região de Bauru, a velocidade média dos ventos é de 2,23 metros por segundo. A geração eólica não faria sentido aqui. A velocidade do vento é pequena e não é constante. Na nossa região, nós não teríamos condições de instalar um gerador eólico com porte grande, comercial - para gerar energia para vender. Tecnicamente, não seria possível, esclareceu o professor.

Além disso, a produção de energia eólica apresenta a desvantagem do custo. Eles não são tão baratos. Os investimentos podem chegar a R$ 2,5 milhões. A tecnologia dele é muito avançada, disse o professor da Unesp.

Na Europa, existem grandes geradores eólicos, de acordo com o professor, já que os ventos costumam ter constância e velocidade suficientes para a geração. No Nordeste brasileiro, também existem usinas de energia eólica localizadas no Ceará. Estimativas indicam que o litoral do Estado apresenta um potencial eólico da ordem de dois mil MW, tendo possibilidade de geração de energia em diversos locais, devido ao regime de ventos.

Energia Solar

A energia solar pode ser usada de várias maneiras. A luz solar pode ser captada por espécies de estufas colocadas nos telhados das residências, que aquecem a água que passa por elas. Também pode ser aproveitada através de um forno solar, que concentra os raios solares por meio de espelhos curvos. Já as células fotovoltálicas, também chamadas de células solares, convertem diretamente a energia solar em energia elétrica, processo que tem grande aplicação em satélites artificiais. Geralmente, muitas células solares são combinadas em grandes matrizes solares para produzir quantidade suficiente de eletricidade. No Brasil, o que temos são placas solares - células solares que transformam a luz em energia elétrica, afirmou Porto.

A capacidade solar que poderia ser utilizada para produção de energia elétrica no Brasil e na região de Bauru é grande, de acordo com o professor Porto. No entanto, os grandes problemas dessa alternativa seriam o baixo rendimento e o alto custo.

Outro fator que deve ser considerado é a necessidade de um conversor de freqüência, já que as placas geram energia em corrente contínua e a rede utilizada é alternada.

As aplicações mais freqüentemente encontradas atualmente para a energia solar são para o consumo de residências, e não consumo comercial. Normalmente, você usa a célula para carregar uma bateria durante o dia. À noite, você pode ligar lâmpada, rádio, televisão. É possível e é usado hoje em dia. Algumas casas utilizam energia solar. Mas você tem que ter praticamente todo o telhado coberto com placas solares para que tenha potência maior. A energia solar não é viável como geração de energia comercial - para vender para o consumidor de uma cidade, pontuou Porto.

Algumas formas alternativas de utilização de energia solar com capacidade comercial existem em outros países, como os Estados Unidos. No Brasil, não há, com capacidade comercial. Existem, nos Estados Unidos, usinas que usam o sol. Mas lá é um grande espaço cheio de espelhos, cujos focos estão centrados em uma torre. Nesta torre central, tem um gerador que esquenta um líquido que se condensa e toca um gerador. Mas isso está em estudo e é ultra caro. Para nós, também não é viável. É uma tecnologia cara e que nós não temos certeza se vai funcionar

Hidroelétrica

As hidroelétricas são usinas que aproveitam a potência da água no curso de um rio para gerar energia elétrica. A primeira desvantagem dessa opção de produção, apontada pelo professor da Unesp, é o seu custo inicial, já que é necessário construir grandes obras e alagar grandes áreas para fazer a bacia de contenção - o reservatório. São obras caras e demoradas - a Itaipu demorou cerca de 10 anos para terminar. Os ambientalistas também não gostam muito da idéia pelo alagamento das regiões, expôs.

A localização das hidroelétricas é outro aspecto que deve ser analisado. A necessidade de um rio no local de instalação da usina muitas vezes faz com que elas tenham que ser implantadas em locais distantes dos grandes centros consumidores. Essa característica encarece o quilowat/hora, já que devem ser implantadas linhas de transmissões para conduzir a energia ao local de consumo. Você só pode fazer uma usina onde tenha um rio que possibilite instalar. No Estado de São Paulo, é o rio Paraná, por isso todas as hidroelétricas são longe da Capital. As linhas de transmissões custam caro e dão problemas. Isso também encarece a instalação dela, agravou.

Embora as usinas hidroelétricas tenham alto custo de instalação, elas apresentam a vantagem de ter um custo operacional baixo, depois de prontas. Você tem água de graça, abre a comporta, toca o gerador e gera energia. O custo de geração é baixo, disse Porto.

Outra vantagem que as hidroelétricas têm, depois de instaladas, é que não poluem o meio ambiente. Depois de instalada, ela funciona sem poluir. Não tem fumaça, não tem nada. Ela é limpa, enfatizou o professor.

Termoelétricas

O princípio básico de funcionamento de uma termoelétrica, de acordo com Porto, é o aquecimento de uma caldeira, que produz vapor e movimenta uma turbina a vapor. Elas diferem umas das outras pela maneira como aquecem a caldeira, já que podem utilizar diversos tipos de combustível, como óleo diesel, gás natural, cana-de-açúcar e energia atômica, entre outros. Em usinas de cana-de-açúcar, eles pegam o bagaço da cana, queimam na caldeira, tocam o gerador e vendem energia, explicou.

Elas apresentam vantagem em relação às usinas hidroelétricas na medida em que têm grande capacidade de produção, independem da existência de rios para a instalação e são construídas rapidamente. Ela pode ser construída ao lado de um grande centro consumidor. Como ela independe de água, eu posso montar uma usina próxima a São Paulo, como estão montando aqui em Pederneiras. Desta forma, não existe linhão de transmissão. Além disso, em dois anos é possível construir uma usina termoelétrica. Já uma hidroelétrica leva cerca de dez anos, disse Porto.

Apesar da viabilidade na implantação, as termoelétricas são grandes poluidoras do meio-ambiente, já que geram energia pela queima de combustíveis. Se você vai queimar óleo diesel ou outra coisa, você vai jogar algum poluente para a atmosfera. Não tem jeito, ela tem chaminé, agravou o professor da Unesp.

Outro aspecto negativo das termoelétricas é o custo do quilowat/hora. A produção de energia é mais cara em relação à hidroelétrica. Você vai pagar o gás natural para queimar, o óleo diesel etc. O preço do quilowat/hora produzido é mais caro em relação à hidroelétrica, afirmou.

O engenheiro Alcides Tadeu Braga, da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), alertou não só para o problema da poluição, mas também para o ruído produzido pelas usinas termoelétricas, fatores que comprometem a instalação nas proximidades de centros urbanos. O problema das termoelétricas é a combustão e o ruído. A queima do óleo combustível gera o problema de poluição do ar, enfatizou.

Termoelétrica de Pederneiras

A empresa Duke Energy International Brasil está instalando uma usina termoelétrica a gás natural em Pederneiras. De acordo com a gerente de Relações Externas da empresa, Denise Macedo, o impacto ambiental dos poluentes que a usina liberará é bastante inferior ao exigido pela legislação brasileira. Nós utilizamos níveis internacionais, que são mais rigorosos. No nosso projeto, o nível de poluentes liberados é bem inferior ao permitido nacionalmente. Além disso, com o licenciamento, nós nos comprometemos a realizar um constante monitoramento do ar, disse.

Denise enfatiza a escolha do gás natural como combustível para gerar energia. O gás natural é o mais limpo de todos os combustíveis, enfatizou.

A usina está em fase de licenciamento ambiental e a expectativa é de que as obras tenham início em setembro.

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