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Sucesso profissional está ligado ao prazer

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

O jornalista e escritor Gilberto Dimenstein aposta na dupla prazer-trabalho para vencer na vida

Sucesso profissional. Todos almejam conquistar um lugar de destaque no mercado de trabalho, com uma boa remuneração e, acima de tudo, fazendo aquilo que gosta. O jornalista e educador Gilberto Dimenstein, um verdadeiro vencedor na sua carreira, acredita que isso pode ser alcançado com um trabalho de conhecimento interior, no qual a pessoa tem que partir do princípio da experimentação e de auto-avaliação, levando em conta as mudanças e alterações do mercado de trabalho. Tem gente que já nasce sabendo o que gosta. É uma paixão muito forte, que leva a pessoa a se fixar em determinada área e lutar por aquilo. Mas, isso é privilégio de poucos. A maioria das pessoas passa a vida fazendo algo que não gosta apenas para ter um salário no final do mês, disse o jornalista em entrevista ao Jornal da Cidade.

Dimenstein acredita que esse não seja um problema crônico. Na sua opinião, a escola deveria ser um campo de experimentação que levasse o indivíduo a descobrir sua paixão na área profissional. Todo o mundo nasce com habilidade para determinada área. Mas, nem todos sabem disso. Essa descoberta deveria ter início na escola, salientou.

No entanto, o que ocorre é o contrário. Os indivíduos passam pelos bancos escolares como meros espectadores, sem a oportunidade de trabalhar com as informações que absorve. A educação visa muito mais as pessoas que absorvem conteúdos do que aquelas que produzem conhecimento. Por isso, os estudantes aprendem a decorar coisas que pouco têm a ver com a realidade, explicou.

Palestra

Gilberto Dimenstein esteve ministrando uma palestra, na última segunda-feira, no Bauru Tenis Clube, abordando o tema O profissional do futuro. Em sua apresentação, ele procurou, muitas vezes, falar da própria carreira para dar exemplo de como vencer na profissão. Eu sempre fui o pior aluno da escola. Mas, consegui encontrar duas áreas que me fascinam: o jornalismo e a educação. O jornalista comparou a profissão à paixão por um ser humano. Quando você está apaixonado por uma carreira, você investe nela, busca conhecimentos para aprimorá-la, tudo sentindo um enorme prazer. É como amar uma outra pessoa, disse.

No entanto, esse é o grande problema que assola as pessoas nos dias de hoje, principalmente os adolescentes que estão na fase mais crítica da idade: o vestibular. Escolher a profissão aos 16, 17 anos, é um crime. E os adolescentes são obrigados a decidir o que vão fazer no resto de suas vidas nessa fase, já que a sociedade cobra deles a aprovação no vestibular. Algo que deveria ser apenas um passo acaba se tornando a finalidade de tudo, disse.

A platéia da palestra, formada em grande parte por estudantes do Ensino Médio e universidades, se entusiasmou com as palavras do jornalista. No final do evento, ele foi procurado por alguns que queriam conselhos sobre qual caminho seguir em sua profissão. Eu não posso falar isso. Eu não sei qual o segredo do sucesso. Cada um tem que buscar dentro de si essa resposta. O que eu faço é apenas levantar o assunto e levar as pessoas a se questionarem, disse.

No entanto, ele deu uma dica: a curiosidade e a humildade são as premissas para o crescimento. Percebendo o que lhe dá prazer, a pessoa deve buscar conhecimento sobre aquilo e aceitar ouvir outras pessoas sobre o assunto. O auto-conhecimento é extremamente difícil. Mas, o sucesso que deriva disso é a coisa mais prazerosa do mundo, salientou.

Ele lembrou que pesquisas mostram que o diploma só consegue segurar um profissional no emprego por cerca de um ano. Se a pessoa não se aprimorar e administrar a enxurrada de informações que recebe, não conseguirá um lugar de destaque na sua área. Aí entra o prazer do ofício. Se você gosta do que faz, busca automaticamente essa inovação. A pessoa sente necessidade de crescer e isso fica evidente aos que estão em volta, disse.

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