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Estudantes da Unesp encerram semana de lutas

Redação
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Os estudantes do câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp) encerraram, na sexta-feira, a semana de lutas em que organizaram atos e manifestações reivindicando melhoria de ensino, paridade em órgãos colegiados, restaurante universitário e moradia estudantil, entre outras coisas. Ao meio-dia de sexta, eles desocuparam o prédio do Grupo Administrativo do Câmpus (GAC), local onde estiveram acampados durante a semana.

De acordo com a estudante Renina Valejo, que cursa o 4.º ano de Jornalismo, os alunos estiveram lutando em defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade. A mobilização realizada durante a semana foi decidida na Assembléia Geral dos Estudantes, realizada no último dia 16 de março, em que estiveram presentes cerca de 300 estudantes.

Os unespianos fizeram um ato público no restaurante do câmpus, como forma de reivindicar o restaurante universitário (R.U.). O restaurante universitário subsidiado pela Reitoria é mais barato. Na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, a refeição custa R$ 0,56. Na Federal de São Carlos, custa R$ 0,75. Aqui, o preço do bandejão é R$ 2,85. Nós estamos cobrando do reitor o que ele colocou como prioridade durante a campanha, afirmou Renina.

Os universitários organizaram debates sobre universidade pública, qualidade de ensino e representação estudantil e discutiram o boicote ao Provão, com presença de estudantes de diversos cursos inscritos no exame deste ano.

De acordo com o estudante Marcos Antônio dos Santos, aluno do 2.º ano de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo, as discussões abordaram, ainda, a proposta do banco Santander de informatização das unidades da Unesp, que inclui as três faculdades instaladas no câmpus de Bauru, e os processos de sindicância contra alunos. Os universitários afirmam que muitos processos estariam sendo conduzidos de forma arbitrária e com fins de punição sobre lideranças do movimento estudantil. Foi criada uma comissão paritária de estudantes, funcionários e professores para verificar as irregularidades nos processos de sindicância contra alunos. Até hoje, bastava um testemunho para acusar os alunos, mas as testemunhas sequer reconheciam os acusados. Não existe critério justo. Os critérios são políticos; eles querem punição exemplar, enfatizou.

O poder de decisão sobre os processos ainda são do GAC. No entanto, de acordo com Marcos, a comissão poderá apontar as suspeitas de irregularidades e indicar o cancelamento do processo. Esta será a primeira vez em que os alunos vão participar e procurar estabelecer mais lisura na condução dos processos, observou o estudante.

Os unespianos participaram também da manifestação realizada em frente à Câmara Municipal, sobre a meia-entrada garantida aos estudantes em eventos culturais. Não sei se entenderam que não estamos contra a entidade, mas contra a direção atual da entidade, que está a serviço de um partido político, salientou Marcos.

Na sexta-feira, os manifestantes foram recebidos pelo presidente do GAC, Edwin Avólio, para uma nova rodada de negociações. Nós montamos uma comissão de alunos que irá a São Paulo junto com o GAC para negociar com a Reitoria a inclusão do bloco de moradia e do R.U. no orçamento de 2002, esclareceu Renina.

Marcos acredita que o saldo da semana de luta dos universitários da Unesp foi positivo, já que o GAC comprometeu-se a pressionar a Reitoria nos processos que não dependem da administração local e visto que eles conseguiram representação de dicentes para as negociações no câmpus de Bauru. Vem num crescente. As pessoas estão tomando consciência de que é preciso fazer alguma coisa, atuar, expôs.

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