Geral

"A meta mensal!..."

(*) José Almodova
| Tempo de leitura: 4 min

É curiosa a maneira de como os acontecimentos públicos no Brasil (de qualquer que seja sua procedência), há de gerar um sem número de problemas que -via de regra- provocam uma boa dose de incômodo aos cidadãos, aos governos, aos mandantes e ao próprio País como um todo. Melhor dizendo, qualquer tipo de problema se transforma num problemão... Senão, vejamos, ou, voltemos ao assunto mais infelizmente presente, que há cerca de um mês, se tanto, vem envolvendo e importunando de um modo geral, toda a população brasileira. Certamente com exceção apenas daqueles que nem chegaram a ser clientes gato.

O fato é que em todo o País (nos encontramos de orelha em pé), quanto aos problemas alusivos ao racionamento de energia elétrica, com que já nos familiarizamos, adotando-o sob o batismo neologista de apagão. Uma expressão que nos soa como coisa muito po-pular, até mesmo de certa forma familiar, pois parece algo jocoso. Em consonância com os famosos: ricardão, faustão, antonião, zélão e outros, generalizados como povão.

Tudo haveria tido nascedouro quando algum dos responsáveis pelo assunto (geração da energia elétrica), teve a luz de lembrar-se e verificar a situação dos níveis de água das represas. Tratou de verificar se elas cumpriam sua obrigação - a correta geração das turbinas - além da capacidade de seguir mantendo a contento, a luz artificial que nos ilumina (quando não temos a gratuita luz do sol), oriunda da natureza. Foi quando concluiu-se que os índices pluviométricos em quase todas as represas, se encontravam mais para baixíssimo do que para baixo; que certamente agora devem encontrar-se muito pior.

Então, -segundo consta e à moda brasileira- como se houvera adquirido na Europa a matéria-prima, na fonte mais em conta, os equipamentos receptores acoplados às torres, teriam sido desqualificados e devolvidos por se mostrarem frágeis e impróprios à pesada linha. Foi quando se lembraram que não haveria como concluir o linhão para integrar a energia da Usina de Foz do Iguaçu - negociada há tempos com nossa consorciada, a Argentina- com vistas ao Centro Sul do Brasil, cuja maior demanda seria destinada ao Estado de São Paulo. De imediato, os responsáveis - bem como o presidente- buscaram livrar-se da batata quente nas mãos. Fernando H. Cardoso pôs de imediato a boca na mídia, apelando a todos nós para economizar energia. Obrigatoriedade: cortar 20% da média do consumo(...).

Da nossa parte, francamente não compreendemos a possível razão dos (expertes ou gurus), aos quais coube considerar como ponto de apoio a (média simples do consumo nos meses de maio, junho e julho de 2000), de cujo resultado se exigiu abater 20% para chegar ao teto de consumo individual, que se chamou de META MENSAL. Cuja grandeza, se superada, implicará obrigações monetárias...

Apregoada a responsabilidade (no nosso caso, região de Bauru CPFL), com envio do demonstrativo da META MENSAL de consumo, entretanto, eis que este não parece com- pactuar com o Programa Emergencial de Redução do Consumo de Energia Elétrica, defi-niu, por meio da Resolução 004.... Fato que (vivenciamos pessoalmente no Escritório de Bauru, de forma atenciosa), onde presenciamos em 5 deste mês o grande número de recla-mações por motivo de erros cruciais e falhas, editadas na Sede da CPFL, em Campinas.

Na busca de correção da META MENSAL -calculada em Campinas- mostramos significante erro. Segundo eles (no nosso consumo na área de Arealva), afirmando no boleto (ipsis litteris): Forma de Cálculo: Por não haver histórico de Consumo nos meses de maio, junho e julho de 2000 conforme a Resolução 004, a sua média foi calculada com base em até três consumos efetivamente registrados, a partir de maio de 2000". Solução que muito nos intrigou, pelo fato de que consumimos energia elétrica ali por mais de 21 anos ininterruptos. O órgão encarregado, entretanto, serviu-se apenas do consumo dos meses de junho e setembro de 2000, levantando apenas, e respectivamente, 642 kwh + 20 kwl = 662 kwh. Resultado erroneamente irregular (oriundo da média bimestral); a META MENSAL foi considerada de 265 kwh. Percebe-se uma falha, (na aberração à Resolução governamental 004), com o que ninguém, em sã consciência, deve concordar. Entrementes, segundo instrução da CPFL, aguardamos a devida correção de Campinas. -Fico por aqui.

(*) José Almodova é professor-Mestre em Projeto, Arte e Sociedade pela Unesp. É jornalista e colaborador deste JC. Escreve às quintas-feiras na coluna. E-mail: almodova@ig.com.br

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