Geral

Os trabalhadores fizeram, ontem à tarde, uma paralisação no transporte coletivo urbano, na avenida Rodrigues Alves, em Bauru. O ato foi interrompido pela PM.

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 3 min

Protesto-relâmpago durou cerca de 25 minutos e terminou quando a PM ameaçou multar os ônibus parados

Os trabalhadores em transportes rodoviários cumpriram a promessa e fizeram, ontem à tarde, uma paralisação-relâmpago no transporte coletivo urbano, em plena avenida Rodrigues Alves. O ato, que deveria durar aproximadamente uma hora, foi interrompido com cerca de 25 minutos, quando policiais militares ameaçaram multar os veículos que estavam estacionados fora dos pontos.

Para Elias Pinheiro da Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários em Geral de Bauru (Sindtran), a atitude da Polícia Militar pode levar a categoria a medida mais contundente, que seria a paralisação dos ônibus nas garagens das três empresas, o que causaria mais transtornos para a população. Essa pode ser uma opção para evitar as multas, afirmou, lembrando que se houve alguma autuação ontem, o Sindicato deve recorrer junto ao órgão de trânsito para tentar cancelá-la.

A paralisação chegou a irritar vários passageiros, que reclamavam de estar perdendo horário para compromissos marcados. Silva disse que a categoria tem consciência de que causa problemas aos usuários quando faz esse tipo de protesto. Porém, para ele, é a única forma de pressionar as empresas para que atendam às reivindicações da categoria. Segundo o presidente do Sindtran, a medida se deve às reivindicações salariais não aceitas por parte das empresas que operam no sistema de transporte coletivo do Município.

Silva disse que a tendência é que as paralisações sejam realizadas com maior freqüência e mais de uma por dia, em vários períodos, até que os empresários atendam às reivindicações da categoria, dentro do acordo coletivo.

Ontem, vários ônibus continuaram circulando durante a paralisação, que impediu meia pista da Rodrigues, do lado direito, sentido Centro-Jardim Redentor. Silva disse que esses veículos não conseguiram se posicionar na faixa da direita da avenida e, por isso, continuaram seu roteiro, para evitar a interdição da pista como um todo.

Para Silva, a ação da PM acabou interferindo no movimento de ontem. Porém, ele disse que o posicionamento da polícia e a pressão dos fiscais das três empresas foram normais. Mas, o sindicalista ameaça que, se essa situação continuar, o movimento pode radicalizar e as paralisações ocorrerem nas portas das garagens das empresas, deixando a população sem uma opção de transporte.

A pauta de reivindicações proposta pelos trabalhadores foi entregue às empresas no dia 27 de março e, no entanto, as negociações não teriam progredido até ontem. As empresas estão irredutíveis. Elas insistem em 0% de reajuste, mesmo a Emdurb tendo considerado 5% de reajuste na tarifa de custo. Mas, a Emdurb disse que o problema é nosso e das empresas, expôs.

Os trabalhadores estão reivindicando 20% de reajuste salarial; vale-refeição no valor de um salário mínimo; participação nos lucros e resultados de 30% sobre os salários dos meses de outubro deste ano e março de 2002; jornada de seis horas diárias e plano de atendimento médico extensivo aos familiares.

O tenente Jorge Luiz, da 4.ª Companhia de Trânsito, disse a intenção da Polícia com as autuações era de manter o fluxo do trânsito. Segundo ele, a função da PM de Trânsito é cuidar do bom andamento do tráfego. Porém, quando há infração em via pública (como o estacionamento irregular dos ônibus), que impede a fluidez do trânsito, a função da polícia é não cruzar os braços e, sim, atuar de forma preventiva, para regularizar a situação.

Não foi possível saber se a atuação da PM continuará a ser no mesmo sentido em outras possíveis paralisações-relâmpago, pois a ligação do celular caiu e, em novas tentativas de ligações, só caia na caixa postal.

Comentários

Comentários