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"Clube da Meia-Dúzia" prega independência no Legislativo

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Um bloco de seis vereadores começou a desenhar um novo cenário político na Câmara Municipal nas últimas semanas. O grupo, que está sendo chamado de Clube da Meia-Dúzia, é remanescente da bancada de vereadores situacionistas, que ficou conhecida como Clube dos 13, responsável pela eleição do vereador Walter Costa (PPS) à presidência do Legislativo e que dava sustentação política ao prefeito Nilson Costa (PPS).

Integram o bloco os vereadores Osvaldo Paquito (sem partido), Pastor Luiz (sem partido), Faria Neto (PDT), Renato Purini (PDT), Paulo Eduardo Martins Neto (PFL) e José Humberto Santana (PDT). Eles se proclamam independentes e reforçam o discurso afirmando que a intenção é trabalhar pelo bem da cidade.

Nas últimas sessões legislativas, o grupo tem fechado questão em votações polêmicas, como a da meia-entrada, projeto de lei de autoria do vereador Rodrigo Agostinho (PMDB) que acabava com o monopólio da carteirinha da União Nacional dos Estudantes (UNE), vetado pelo prefeito. O Clube da Meia-Dúzia votou a favor do veto.

Na última sessão legislativa, os seis parlamentares também fecharam questão na votação dos pedidos de urgência de dois projetos de lei assinados por Nilson Costa, que tratavam do novo sistema de saúde dos servidores e da criação da fundação de previdência. O grupo votou contra os pedidos de urgência.

Discussões

Embora negue a pecha de líder do bloco, Faria Neto comenta o assunto de maneira espontânea e confirma a existência do grupo. A consolidação do clube ocorreu há pouco mais de um mês, depois que a bancada que apóia a Administração começou a se esfacelar.

Nós não somos contra e nem a favor ao prefeito. O grupo surgiu naturalmente e está aberto a quem quiser participar. Só não aceitamos radicalismos, comentou o pedetista. Faria até acha que a aproximação física dos vereadores, que no plenário ocorre devido a disposição das cadeiras, ajudou a firmar o bloco. As acomodações dos parlamentares são próximas.

O Clube da Meia-Dúzia decidiu se reunir semanalmente para discutir os projetos de lei que vão à votação nas sessões legislativas. Os encontros podem ocorrer na Câmara Municipal, horas antes do início da sessão, ou até mesmo na Chácara Pedacinho do Céu, de propriedade de Faria Neto, localizada no beiradão do rio Batalha, em Avaí.

Dependendo do assunto, os vereadores fecham questão, mas não há nenhuma imposição radical para se votar de acordo com o que ficou estipulado pela maioria. Segundo Paulo Eduardo, no momento não há nenhuma possibilidade de juntar o grupo num único partido. Ainda não, mas só o tempo confirmará isso, comentou, dando brecha de que essa possibilidade não está descartada.

Renato Purini acredita que o bloco está afinado porque tem comportamento coerente. Nós não temos rabo preso com ninguém. Conversamos para definir o que é melhor para o Município. E sempre que possível, chegamos a um consenso.

Dois parlamentares do bloco, Humberto Santana e Pastor Luiz, reforçam as declarações de Purini. Não temos nenhum compromisso formal, diz Santana. Pastor Luiz apela para o discurso: Eu voto de acordo com a minha consciência, avisa, embora assuma que faz parte da composição.

Empolgado com a atuação do Clube da Meia-Dúzia, Paquito acredita que o grupo vai ter vida longa. Eu diria que vamos atuar juntos até o final do mandato.

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