O dia exato não nos lembramos, mas devia ser lá pelas 8 horas. Eu e meu amigo (de infância), o DJ Waldir, saímos de casa rumo a uma pescaria. Nós não gostamos de pescar, somos, sim, fanáticos por pescaria. Tudo arrumado. Varas, molinetes, lampião a gás, puçás e uma enorme quantidade de iscas. Quando falo enorme é porque era um exagero. Pesava tanto que tínhamos que revezar. Ora em um braço, ora em outro.
Tinha de tudo, mortadela, salsicha, queijo, minhoca, goma, tomatinhos, massa comprada, massa feita em casa, etc.
Chegamos ao local da pescaria. Praia de Alemoa, distrito de Carlópolis, no Paraná. O nosso objetivo eram as corvinas, famosas por serem de quilo e muito saborosas e por não terem muita gordura. Eu explico: elas vivem nas galhadas do lago, mas, por ter corvina, tucunaré e outros peixes, os lambaris não habitam nesse mesmo espaço. Resultado, quando estão com fome, as corvinas têm que nadar muito para comer, pois os lambaris vivem nas diversas praias do lago, onde tem muita argila.
Montamos no barco e fomos aos locais de pesca. Levamos todas as iscas também. Quase não usamos nada, mas nunca se sabe.
No caminho, paramos para pegar mais iscas: os lambaris. Sem eles, não daria para pescar.
Dentro do barco, o Waldir começa a preparar as varas de pesca. Tinha uma vara que era do tipo telescópica, com molinete. Muito prática para pescar. Apoiamos em uma galhada e anzóis na água. As corvinas não demoraram a aparecer. Prateadas, lindas e com mais de dois quilos. Muita briga. Foi quando o Waldir sentiu que havia fisgado uma corvina que deveria ser um monstro, nas suas palavras. A linha começou a descer mansamente e ele deu a fisgada. Foi risada para tudo que é lado. A vara (telescópica e prática) quebrou logo acima do molinete e ele ficou só com a linha na mão, devido ao susto. E logo em seguida, a corvina quebrou a linha.
Que ralação. Agüentar gozação logo no começo de pescaria é dose. O jeito foi ele tomar uma cerveja e preparar outra vara (normal) para pescar.
Ficamos três dias pescando. A maior e mais gostosa parte das iscas que levamos, como mortadela e salsicha, os peixes nem viram.
No último dia, na parte da tarde, já nos preparando para a volta, fomos ao local onde havia acontecido o incidente com a vara telescópica. Vamos pescar mais algumas no local onde começamos.
O Waldir pegou uma vara de bambu com uns três metros de linha e começou a pescar, mais gozação. Mas não demorou muito e ele sentiu a mesma fisgada do primeiro dia. Bem lentamente a linha começou a abaixar. Ele fisgou no mesmo estilo, lento. Aí, começou a briga. Solta o barco, vai prá lá, volta, põe a mão na linha, recolhe. Uma briga enorme. Passados dez minutos, o peixe vem à tona e pranchou ao lado do barco. Enorme, com mais de oito quilos, um corvinão. Detalhe: quatro anzóis na boca, que mais pareciam piercings, e uma linha que, em seguida, fomos recolhendo.
No final da linha que surpresa. Uma vara, que não era telescópica, com um molinete de cinco rolamentos. Presente de corvina para o Waldir. E dessa vez a gozação foi para cima de mim e do piloteiro.
Foi uma pescaria gostosa. Estamos programando outra. Só que dessa vez o nosso alvo será o tucunaré. Ah, isso tudo é verdade, mesmo!
(*)João Rosan Calépso, fotógrafo e pescador que não mente. Raro isso.
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