O rio Jacaré-Guaçu tem atraído um bom número de pescadores devido às suas peculiaridades como canal de reprodução e trânsito das inúmeras espécies que saem do Tietê. Nesta época do ano, as corvinas entram pelo Jacaré. E por ser uma espécie de águas lênticas, é mais fácil praticar a sua pesca na região da foz que ocorre em Ibitinga, onde o Jacaré chega a atingir quase dois quilômetros de largura.
Isca certa
Segundo os moradores mais antigos do local, onde hoje está a ilha artificial, havia uma pequena mata e um pomar que transformou este ponto em lugar propício para a pesca desta espécie, pois estas características efetivamente concentraram os cardumes naquele ponto.
A melhor isca para a pescaria de corvinas ainda é o lambari, acontecendo bons resultados também com os pequenos pitus, abundantes nos aguapés das margens do Jacaré/Tietê. A maioria dos pescadores prefere os lambaris, tanto pela mobilidade como pela coloração prateada, o que permite um trabalho de atração irresistível.
Como nesta época do ano são raros os pequenos lambaris, é possível substituí-los pelos carás, que também dão resultado, desde que não ultrapassem os quatro centímetros de tamanho.
Para pegar estas iscas pode-se usar um artifício que consiste numa armação de ferro fechada com nylon, com uma abertura para entrada e onde deve-se colocar internamente um pão para atrair os peixinhos.
O local ideal para instalar este acessório são as lagoas ou pequenas represas, pois no rio os resultados são nulos. Uma vez conseguido um bom número de iscas (em torno de 200), é hora de partir para a pesca, tomando sempre o cuidado de mantê-las vivas e ativas, o que é possível fazer através de aeradores movidos à pilha, ou mesmo com a simples colocação de pedras de gelo de quando em quando.
O ponto certo
Já no local da pesca, em Ibitinga, a tarefa principal é localizar nas bordas da pequena ilha o ponto de concentração dos cardumes. O equipamento deve ser uma vara para molinete de 1,80 metro, linha 0,35 mm e chumbada pesada para levar a isca rapidamente ao fundo, sem exageros porém. Uma vez atingindo o fundo do rio, deve-se iniciar um movimento suave de sobe e desce com a ponta da vara. Apesar da isca estar viva e movimentando-se, esta tática é necessária, pois a corvina vai acreditar que a isca está viva e em desespero para fugir. Mantê-la parada não transmitirá esta certeza, e a corvina pode achar que a isca, apesar de viva, está presa e pode relutar no ataque. Executando este movimento, as ações começam a acontecer de forma contínua e, num curto espaço de tempo, o pescador terá fisgado vários exemplares de pequeno porte. Para grandes corvinas, a tática é adentrar a vegetação da ilhota, colocando o barco quase que integralmente sobre a vegetação. Se tiver a paciência de abrir um buraco no capim para poder descer a linha, a certeza da captura de grandes exemplares estará presente, mas tome cuidado para não enroscar o anzol, já que neste ponto sua linha estará em cima da vegetação submersa, cheia de galhos. Com a mesma tática de movimentação da ponta da vara, aumenta-se um pouco o tamanho da isca, pois se nem todo otimista é pescador, todo pescador é otimista. Neste trabalho, as ações demorarão um pouco mais para acontecer. Como as maiores são ariscas, é esperar e trabalhar o equipamento.
Puxada firme
Quem pesca corvina sabe que este peixe praticamente não puxa a isca, ela a tritura, ocasionando a sensação de pequenos movimentos, sendo esta porém a hora da fisgada. Mas com as grandes corvinas é diferente.
Estas puxam forte, afundam a vara dentro dágua e, se a fricção não estiver corretamente calibrada, existe a possibilidade de rompimento da linha. As corvinas começam a aparecer com pesos variando entre um e três quilos, até o momento em que, numa fisgada inacreditável, tem-se a certeza de que finalmente encontrou uma cavala.
Com a ponta da vara dentro dágua e com a carretilha cantando, a única preocupação é não perder o peixe pois o local, cheio de galhadas, é uma facilidade para a corvina de porte ir para seu refúgio. Se não trabalhar com calma, o enrosco será inevitável e para desespero do pescador, apesar de fisgada, a corvina estará com a linha enrolada nos galhos, o que impede trazê-la para a superfície. Apesar disto, tenta daqui, teima de lá, solta linha, puxa linha, com sorte, conseguirá tirar o peixe do enrosco, e a partir disto, recolha um pouco a linha para deixá-la brigar acima das galhadas, conseguindo assim trazer, mostrar, fotografar e soltar uma belíssima corvina, que poderá beirar os quatro quilos.
Pode ser apenas uma deste porte, mas é o suficiente para demonstrar que existem peixes de qualidade e ótimo tamanho nesta região, o que lhe dará a certeza de que, enquanto durarem as baixas temperaturas, haverá a chance de pescar ótimos exemplares.
Corvina à milanesa
Dez filés de corvinas de médio porte, previamente limpos e descamadosSuco de três limõesSal e pimenta a gostoDuas colheres de azeiteTrês ovosFarinha de rosca
Modo de preparar
Junte o suco, o sal, a pimenta e o azeite e misture tudo. Coloque os filés neste tempero, mantendo-os por 24 horas na geladeira. Tenha o cuidado de virá-los ao menos uma vez.
Decorrido este tempo, passe os filés na gema dos ovos previamente batidos e na farinha de rosca por duas vezes, até que os dois lados fiquem bem impregnados.
Coloque numa frigideira o óleo para fritura em quantidade suficiente para cobrir um filé. Acenda o fogo, deixe o óleo bem quente e comece a fritá-los virando apenas uma vez.
Retire o excesso de óleo colocando-os num prato com papel absorvente. Sirva com arroz branco e uma salada de alface, ervilhas e palmito. A corvina quase não tem espinhos, o que aumenta o prazer da refeição, principalmente se for realizada na beira do barranco.