Apaixonados por veículos antigos aproveitam o final de semana para pôr o papo em dia e mostrar suas raridades
O Clube de Carros Antigos do Centro Oeste, com sede em Bauru, participou, no último domingo, do II Encontro de Veículos Antigos de Bariri, organizado por Modesto José Masson. O evento, que fez parte das comemorações dos 111 anos da cidade, reuniu 96 veículos de várias cidades do Estado. O mais antigo foi o Ford Speedster 1914, de propriedade do bauruense José Carlos Tosi, ex-presidente do Clube de Carros Antigos.
O evento reuniu curiosos de Bariri e região. Levou ao Lago Municipal Acaccio Masson, onde foi realizado, apaixonados por carros antigos e saudosistas, como o provedor da Santa Casa de Bariri, Lázaro Duarte, 70 anos, que não resistiu a um Chevrolet Ramona 1928.
Dá muita saudade. Me lembra do tempo em que minhas filhas eram crianças, diz seu Lázaro. Ele contou que teve um Chevrolet 66 que não tinha porta e as meninas adoravam. Hoje os carros são melhores, mais cômodos, mas naquele tempo era mais gostoso, recorda.
Mas nem só de saudosistas e curisosos vive o ramo de carros antigos. Tem também aquelas pessoas apaixonadas, mas não sabem explicar muito bem de onde nasceu o amor por um veículo considerado peça de museu por muitos.
É o caso de Marco Aurélio de Oliveira Filho, 19 anos. Ele tem um Fusca 65, daquele com cílios sobre os faróis. É uma questão de paixão. Meu pai sempre teve fusca, é um carro que marcou época, que marcou a vida de muita gente, afirma. Oliveira Filho não usa o carro no dia-a-dia. Ele sai com o Fusca nos finais de semana, para os encontros promovidos pelo Clube de Carros Antigos. E orgulha-se ao dizer que, apesar da idade, é um carro que não dá problemas.
Óleo na mamadeira
Há quem diga que essa paixão de gente nova por carro antigo tem explicação lógica. O oftalmologista José Carlos Tosi, 55anos, por exemplo, costuma dizer que pingava gotinhas de óleo do seu Ford 1914 na mamadeira do neto, Matheus, 5 anos, para despertar o gosto pela coisa. E parece que funcionou.
Hoje, Matheus tem uma réplica do Ford 1914, construída pelo avô, e costuma acompanhá-lo pelos eventos. Ele até tem uma bancada com ferramentas e tudo, igualzinho a mim, diz o orgulhoso vô Tosi.
Sócio de vários clubes de apaixonados por carros antigos, Tosi participa de várias atividades, quando pode. Em Bauru, o clube reúne cerca de 60 apaixonados por veículos antigos. Cada um tem pelo menos um carro. Essas pessoas são movidas pela paixão. O atual presidente do Clube de Carros Antigos do Centro Oeste é José Carlos Landro.
Filho Caçula
A professora aposentada Cleide Marcolino Zonzini, dos anos 60, como diz, está entrando no circuito dos encontros de carros antigos agora. Ela tem um Karmann Ghia 1968 que já está na família há 28 anos. Sou a terceira dona. Comprei para lecionar e uso o carro até hoje. Vamos a São Paulo, Bauru, Jaú, para todos os lados, diz. Aliás, todos da minha casa o usam, embora tenham carros novos. É um filho caçula, emenda.
Cleide Zonzini diz já ter recebido várias propostas de compra do carro, mas não vende. O lado afetivo não tem preço e sempre acaba falando mais alto, explica. Ela só lamenta não poder melhorar mais o visual do carro. As pessoas roubam tudo o que eu coloco.
Sobre duas rodas
As lambretas também tiveram representante no II Encontro de Veículos Antigos, em Bariri. Antônio Carlos Trostdorf, de Araraquara, levou para o evento a lambreta LD 1958, toda original. Trostdorf comprou a moto há cinco anos e a refez. Deu trabalho e custou caro, mas o resultado é satisfatório, garante. Ele diz já ter recebido oferta de R$ 10 mil por ela, mas não vende. A LD 58 de Trostdorf o lembra do período em que era moço. Eu trabalhava com lambreta, namorava minha mulher de lambreta e sempre quis ter uma, diz. É uma questão de paixão.
Trostdorf, que tem uma filha, Vivian, de 20 anos, não esconde o ciúme da LD 58. Ela não pega, tem uma Kawasaki 750, justifica, ao ser perguntado se ela anda de lambreta. Mas ao ser questionado se liberaria a LD58 para a moça, caso ela quisesse, fez sinal que não com a cabeça.