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Mulher tem 3 opções para laqueadura

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 6 min

A laqueadura de trompas é uma cirurgia em que é feito um desligamento das trompas de Falópio de modo a impedir que os espermatozóides encontrem o óvulo e promovam a fecundação. De acordo com a ginecologista Carla Ribeiro Lambertini Bonjorno, há duas formas diferentes de se realizar esta cirurgia, que pode ser aberta ou laparoscópica (usando-se uma microcâmera).

Na cirurgia aberta, o procedimento é similar ao que é feito para o parto cesárea, com um corte no abdômen. A paciente recebe anestesia de bloqueio (tipo de anestesia localizada cujo efeito vai sendo prolongado conforme a duração da cirurgia) e são cortadas sete camadas da anatomia até se chegar às trompas. Depois, cada uma destas camadas é suturada com fios especiais. Então, a mulher vai ter um corte profundo, com vários pontos - uma cirurgia com consideráveis riscos de infecção, reações anestésicas, dores e problemas de cicatrização. Esta cirurgia dura, em média, 30 a 40 minutos e a paciente fica hospitalizada por, pelo menos, 48 horas.

Na cirurgia laparoscópica, é feito um corte mínimo no umbigo, com 0,5 a 1 centímetro, por onde é colocada uma microcâmera que permite ao médico localizar a trompa e realizar o procedimento, que é feito em poucos minutos. A paciente tem alta em aproximadamente seis horas. A laparoscopia é mais fácil, mais simples, só que é feita com anestesia geral, porque vamos ter que injetar ar no abdômen da paciente para afastar as alças intestinais e facilitar o trabalho do médico, ponderou Bonjorno.

Ela ressaltou que existem, também, várias técnicas para se fazer a laqueadura e que a escolha do melhor procedimento vai depender de várias condições da paciente. Mas, para entender tudo isso, é preciso saber como ocorre a fecundação.

Fecundação

Uma vez por mês, um dos ovários da mulher libera um óvulo pronto para ser fecundado (maduro). Este óvulo é sugado por um conjunto de cílios localizado na extremidade das trompas (fímbrias).

Enquanto isso, do outro lado, os espermatozóides liberados no colo do útero durante o ato sexual vão entrar no útero e chegar às trompas. Óvulo e espermatozóides encontram-se dentro destas trompas, onde acontece a fecundação (quando acontece). Naturalmente, o óvulo continua seu trajeto em direção ao útero. Se foi fecundado, ele gruda na parede do útero e inicia-se a gestação. Se não foi, ele é eliminado com a menstruação.

A laqueadura é um procedimento cirúrgico realizado nestas trompas no intuito de impedir o encontro entre óvulo e espermatozóides e, portanto, a fecundação.

Técnicas

Uma das primeiras técnicas utilizadas para a laqueadura foi a da amarração. Os médicos amarram um fio especial estrangulando as trompas para impedir o encontro entre óvulo e espermatozóides. O problema é que, com o tempo, estes nós podem ceder e os espermatozóides, que são infinitamente menores que o óvulo, vencem o obstáculo e promovem a fecundação.

Nestes casos, a passagem não é suficiente para o tamanho do óvulo, que não consegue chegar ao útero, causando a chamada gravidez tubária, que oferece sérios riscos de morte para mãe e feto.

Outra alternativa para a laqueadura é a retirada total ou parcial das trompas. Hoje em dia, a mais utilizada é a Técnica de Pomeroy, em que é extraído um pedaço com 1 a 1,5 centímetro da trompa no terço próximo ao útero (a trompa é desligada do útero). Essa técnica é mais segura, pois impede que haja uma gravidez tubárea, explicou a médica.

Já na laqueadura laparoscópica, é usada uma pinça especial que capta a trompa, dobra o canal e coloca um anel de látex muito apertado em volta, formando um laço. O anel, além de impedir o encontro entre óvulo e espermatozóide, vai cortar o fluxo sangüíneo. Com o tempo, esta região sofre uma necrose (morte do tecido celular) e a trompa desliga-se do útero, sem qualquer prejuízo para outros órgãos ou tecidos.

Hora do parto

A médica explicou que, para uma mulher que está grávida, vai fazer uma cesárea e quer a laqueadura, o ideal é aproveitar o parto e já promover a esterilização. Mas ela não precisa pedir a cesárea para fazer a laqueadura. Ela pode ter seu filho de parto normal e, imediatamente, nas primeiras 24 horas após o parto, fazer uma cirurgia menor para a laqueadura.

Bonjorno informou que, nas primeiras horas depois de um parto normal, quando o útero começa a se contrair, as trompas são empurradas para perto do umbigo. Neste caso, se existe uma indicação médica para a laqueadura, nós fazemos um corte de 2 a 3 centímetros ao lado do umbigo e, usando a Técnica de Pomeroy, retira-se um pedaço de cada trompa. É como se fosse a cirurgia com corte no abdômen, só que com um corte menor e menos profundo (cortam-se apenas quatro camadas da anatomia). E a mulher pode ter seu filho de parto normal, completou.

Pós-operatório

No caso da cirurgia laparoscópica, a paciente deixa o hospital em aproximadamente seis horas e pode voltar às suas atividades habituais, mantendo apenas alguns cuidados, como não pegar peso e suspender a atividade sexual por uma semana. Já nas cirurgias abertas, é preciso cuidar dos curativos, para evitar inflamação nos pontos. A atividade sexual tem que ser suspensa por cerca de 40 dias, como na dieta pós-parto, pois muitas camadas anatômicas foram suturadas e os pontos poderiam romper-se, gerando complicações à paciente.

Reversão difícil

A mulher que opta pela laqueadura de trompas como método contraceptivo deve ter em mente que escolheu um procedimento definitivo, pois a reversão da esterilização cirúrgica é complicada, delicada e nem sempre possível.

A ginecologista Carla Bonjorno salienta que, nos procedimentos em que é feita uma retirada total das trompas, é absolutamente impossível recuperar a capacidade de fecundação da mulher. O mesmo acontece quando o médico retira a porção final das trompas, onde estão localizadas as fímbrias. Sem os cílios, as trompas não conseguem captar o óvulo e, portanto, também não é possível promover a fecundação.

Para a Técnica de Pomeroy, que retira um pedaço das trompas, as chances de reversibilidade, nos primeiros quatro anos após a laqueadura (antes de haver uma necrose completa das trompas), gira em torno de 80%, disse a médica.

Porém, ela observou que, em alguns casos, a manipulação durante a laqueadura causa uma inflamação nas extremidades onde houve o corte e há uma cicatrização do canal. Quando isso acontece, mesmo que o médico faça uma nova cirurgia e religue as trompas, o óvulo pode não conseguir passar por esse tecido cicatricial. Aí, pode acontecer de haver a fecundação e a gestação ser tubárea, com todos os seus riscos e complicações.

Mas por que algumas pacientes fazem laqueadura e engravidam depois?, questionou a ginecologista. Segundo ela, isso vai depender da técnica adotada e de como ela foi executada. Pode acontecer do médico operar uma trompa e, por algum motivo, não operar a outra. Ou pode acontecer dele desligar o ligamento suspensor do ovário (veja na ilustração), que é muito parecido com as trompas, mas não interfere em nada. E pode acontecer, no caso da amarração, dos nós cederem, se soltarem ou romperem, o que não impediria a passagem do óvulo, comentou.

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