Cerca de 400 pessoas participaram da IV pré-conferência da assistência social realizada pela Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) de Bauru para a conferência que será realizada no próximo dia 23, de acordo com o programa de apoio dos governos federal, estadual e municipal. Apoio à família e à criança e adolescente foram os dois itens mais votados por representantes das oito regiões da cidade.
As pessoas que participaram da pré-conferência elencaram suas prioridades e em primeiro lugar a reivindicação é de manutenção e implementação de serviços de apoio sócio-familiar, em segundo lugar, a prioridade é para serviços sócio-assistenciais destinados às crianças e adolescentes em situação de risco que atuem na perspectiva de inclusão na sua família e da sua família.
Conclui-se que a família é o pilar principal para o bem-estar de todos. Os participantes acreditam que a família, atualmente, está muito desestruturada e é isso que causa os outros problemas. Se dentro de casa, a criança ou o adolescente tem um bom ambiente, ele não vai sair por aí fazendo besteiras porque foi bem educado, mas o que acontece é que dentro de casa é só briga, discussão, falta de diálogo, desunião e desamor, assim, você acaba indo para a rua e lá encontra de tudo, disse A.B.S.P., 15 anos, que prefere passar o dia na rua do que em casa. Ela contou que seu pai está sempre gritando e brigando com ela e seus irmãos e, por isso, prefere ficar na rua com seus amigos que são mais legais.
De acordo com Sandra Scriptore, titular da Sebes, a família, hoje, está despreparada para o atendimento dos filhos. Ela disse que a criança e o adolescente são grande parte da população e as pessoas percebem a importância de se investir nessa área, tendo em vista que é daí que decorrem os problemas. Há realmente uma necessidade de se investir mais nisso. Eu acho que as pessoas perceberam que há falta de programas na área da criança, adolescente e família, que é a partir daí que todos os problemas poderão acontecer e também todas as soluções, desde que haja um programa específico para isso, afirmou.
Os outros itens propostos como prioridades do município foram serviços de assistência e apoio ao jovem de 17 a 24 anos que atuem na perspectiva de capacitação profissional e inserção no processo produtivo, serviços de assistência ao idoso, serviços de assistência à pessoa com necessidades especiais, serviços destinados à recuperação de dependentes químicos e serviços assistenciais para população migrante adulta que vive nas ruas.
Durante a pré-conferência foi realizado, ainda, um relatório sobre as propostas e dificuldades em gestão social, controle social e financiamento. Sandra disse que a Sebes tem tentado fazer os representantes de cada região pensar no município como um todo. Normalmente, eles pensam no bairro onde vivem e querem fechar o programa para essa região da cidade. O que nós fazemos sempre é fazer com que ele pense nos problemas da cidade, explicou.
Delegados querem ação
Das oito regiões de Bauru, foram eleitos 118 delegados representantes que estarão na conferência para defender suas prioridades. Cada um deles afirmaram que o programa proposto pelo governo é bom, se for utilizado como está previsto. Todos os delegados querem ver a verba destinada para esse programa bem aplicada, ou seja, que as prioridades definidas na conferência sejam levadas a sério e que programas sejam realizados em função dessas prioridades.
De acordo com o delegado representante da regional Parque Vista Alegre, Vicente Correa, o principal é prestar assistência à criança e adolescente.
É preciso tratar da criança para que mais tarde não seja um drogado ou criminoso, mas esses programas devem continuar, não podem parar. Na maioria das instituições, as crianças têm abrigo até os 10 anos, depois disso acabam ficando na rua, drogadas. Aí se faz programas para tratar os viciados. Isso é importante, mas melhor que tratar o doente, seria evitar que ele fique doente, disse.
Já para a delegada representante da regional Redentor, Ana Célia de Carvalho, o mais importante são programas de apoio social à família. Ela explica que a família, atualmente, está muito desestruturada e, portanto, são desencadeados tantos problemas no município de Bauru. A família é a fonte de tudo. Se a família tem suporte para viver bem, é possível evitar diversos problemas, afirmou.
As verbas destinadas para esse programa são enviadas pelos governos municipal, estadual e federal. Até agora, o que se sabe é que a Prefeitura Municipal destinou R$ 900 mil, o Governo Federal, R$ 400 mil e o Governo Estadual ainda não mandou nenhuma perspectiva para o programa.
O que faz a Sebes?
De acordo com a assistente social da Sebes, Jussara de Araújo Canella, a Prefeitura Municipal, através do seu órgão gestor, que em Bauru é a Sebes, cabe elaborar a política de assistência social, articular e qualificar a rede prestadora de serviços sócio-assistenciais, monitorar e avaliar as ações desenvolvidas pela rede e administrar os recursos municipais, estaduais e federais alocados no Fundo, destinado a financiar as ações desenvolvidas pela rede.
Além da Sebes, o Conselho Municipal de Assistência Social, o Fundo Municipal de Assistência Municipal, o Plano Municipal de Assistência Municipal e a Rede Prestadora de Serviços Assistenciais também estão englobados nesse trabalho.
Participam da conferência que será realizada no próximo dia 23, os delegados eleitos por cada regional, representantes das seis universidades de Bauru, os 16 conselhos municipais, 60 entidades sociais e os 39 programas municipais, além de 220 usuários dos programas de assistência, ou seja, aquele que tem filho na creche ou um idoso num abrigo etc.