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Mentiras que fazem a humanidade corar

(*) B. Requena
| Tempo de leitura: 3 min

A mentira é um ato indissociável do elemento humano. Começa a ser praticada com a chupeta do bebê, que é só para enganar. Poder-se-á encontrar pescadores que vencem concursos de mentiras e pessoas que, aparentemente, jamais pronunciaram uma mentira ou jamais tenham praticado um engodo. Mas é impossível encontrar alguém que nunca tenha mentido.

Os brasileiros, particularmente, adoram uma mentira. Mentira ou mentirinha, que no Rio de Janeiro e na Bahia é um biscoito redondinho e achatado, feito de massa de pão-de-ló. Biscoitos à parte, que deveriam fazer engasgar certas autoridades brasileiras quando abrissem a boca para nos enganar, vejamos alguns casos que tão cedo não serão esquecidos.

Pressionado pela Inquisição, que o obrigava a abandonar a teoria do heliocentrismo, segundo a qual a Terra gira em torno do Sol, Galileu Galilei teve que negar aquilo que pregava, mentindo diante do Santo Ofício, porque, então, aos inquisidores interessava mais a mentira do que a verdade. Só assim pôde livrar-se da fogueira. Mas, dizem que no momento da retratação, no tribunal, o célebre astrônomo suspirou murmurando baixinho: e pur si muove (e, no entanto, gira).

Na Bíblia, temos um caso famoso. Pedro (pescador), quando perguntado se conhecia Jesus, se fazia parte do grupo do Mestre, se acreditava que Ele era um deus vivo, mentiu três vezes negando tudo isto até que um galo o fez lembrar que o próprio Messias havia prognosticado esta sua fraqueza.

Considerando-se os casos menos famosos na história da humanidade, é fácil concluir que a mentira tem sido a regra e a verdade a exceção. Por exemplo, jamais se pode admitir que Cabral ia para as Índias. Na verdade, ele vinha para as índias.

Goebel, o marqueteiro de Hitler, dizia que uma mentira repetida várias vezes começa a soar como verdade. Bill Clinton tentou fazer isto para o povo norte-americano. Mas quase fracassou diante do diligente promotor Kenneth Starr, tentando livrar-se dos fantasmas em que se transformaram a ex-funcionária do governo do Arkansas, Paula Jones, e Monika Lewinski. Mas, afinal, um charuto é um charuto é um charuto...

Nos dias de hoje não está fácil mentir. Os Pinóquios proliferam por aí, nos mais altos escalões. Às vezes, não é a importância da mentira que deve ser levada em consideração. É a prática. Recentemente, durante a campanha política no Peru, o então candidato Alejandro Toledo disse em discurso, num pequeno vilarejo escondido nas Cordilheiras dos Andes, que dividia sua tristeza com alguns flagelados de um terremoto, pois perdera sua mãe durante um sismo. Em alguns minutos, a história deu a volta ao mundo e até em Moscou se sabia que sua mãe morreu por causas naturais nada vinculadas a um abalo telúrico.

Há poucos dias, isto é, no dia em que foi coroado rei do Nepal, o novo monarca Gyanendra disse à população que o sobrinho, durante um jantar, realmente matou o pai e a mãe (o rei e a rainha), além de mais nove parentes e posteriormente suicidou-se, mas que os tiros haviam sido acidentais. Dizem que no momento até o vizinho Monte Everest corou...

Mas há outras mentiras famosas que circularam por aí. Exemplo: Não pedi a lista, Não há lista. Via a lista, mas não a li. Li a lista, mas não a vi. E também tem aquela Eu não sabia que a energia estava acabando. E ninguém me avisou que corríamos riscos de apagões. Ainda ontem estive com Papai Noel e Saci Pererê e eles nem tocaram no assunto...

(*) B. Requena é editor de Internacional do Jornal da Cidade

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