Geral

Há remédio para isso?

(*) N. Serra
| Tempo de leitura: 2 min

Impulsionada por violentos e sucessivos avanços, que não a deixam estacionar quase nenhum dia, a moeda norte-americana vai se distanciando inexoravelmente desta que leva o simpático nome de real. Há pouco mais de um lustro ela não brilhava quase nada diante da gaita brasileira, a qual em seu alvorecer até chegou a deixá-la na escuridão do retrocesso. Mas, ultimamente, como agora, voltou a nos deixar para trás. Saudade, quanta saudade, não é mesmo boa gente da terra que tem junto ao mar palmeirais, no sertão seringais e no sul verdes pinheirais, como poeticamente desenhou a inspiração do grande Ary Barroso na vibrante Aquarela do Brasil! Lamenta-se que tenham decorrido tão poucas primaveras para que o inverno chegasse, derrubando as pétalas das nossas belíssimas flores, ou seja, do nosso realzinho... E aí está o dinheirinho, cada vez menos valorizado, já precisando de muitas moedinhas ou notinhas para se reaproximar, levemente, das belas cédulas emitidas pelo todo-poderoso das Américas, tão verdinhas e simpáticas e de lampejos tão fortes que têm condições de atear fogo em todos os torrões, muito mais no nosso, debilitadíssimo. Já exigem os dólares mais de R$ 2,4 para comprar um, unicamente um, somente um.

A evidência nos leva à indução de que estamos nos aproximando do portal de 2002 levando no peito o amargor da maioria das dificuldades econômicas sentidas até o advento da nossa nova moeda, que surgiu pintando na paisagem nacional esverdeadas esperanças e, agora, como que vai se desfazendo com a rapidez que não se esperava. Por que o doloroso prognóstico para o novo ano? Porque não parece o Governo Federal animado do propósito de usar o trampolim do diálogo ou da conversa sincera, boca-a-boca, com os mais influentes segmentos do Congresso Nacional, a fim de tentar o salto que o faça alcançar, nas alturas, o cobiçado prêmio da colaboração oficial, necessário para que ele possa vencer a inflação e valorizar a economia através da execução de programas melhores e realmente reprodutivos, tendo em vista reduzir o déficit público sem os fabulosos aumentos tributários como os que estão previstos.

Diga-se, sem receio de errar, que o arrocho de tributos, assentado desde já para 2002, e os aumentos dos combustíveis, energia elétrica, telefone e outros já em franco andamento, serão demolidores nos exercícios que estão por vir, já que a equipe governamental se esquece do lendário tudo pelo social para enveredar no sentido do tudo pelo enxugamento da dívida pública. Conseqüentemente, é inquestionável que milhares de empresas estão condenadas ao desaparecimento, os preços vão continuar subindo e a inflação se manterá ascendente, ganhando as alturas, enquanto o mercado de trabalho prosseguirá se esvaziando. Raciocinando-se nessa linha, não se pode vaticinar 02 como o surgimento da aurora do Brasil sonhado pelo patriotismo de tanta gente... É a nossa opinião.

(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

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