Não entendemos quais são as razões - ou por que - o ministro da Economia da Argentina, Domingo Cavallo, tem vindo tantas vezes ao Brasil, em busca de apoio ao seu plano econômico ali implantado no país, cujo procedimento vem se mostrando inconsistente. E para o qual - em sua última visita ao nosso ministro da Fazenda, Pedro Malan - recebeu e se contentou com o apoio parcial, retornando imediatamente à Argentina, levando ao presidente Fernando de La Rúa, atenções sobre cujas medidas deveriam ser anunciadas nesta semana (em que estamos escrevendo).
O fato da presente observação que levantamos tem razão de ser, eis que não são desconhecidas daqueles que acompanham diuturnamente os pontos de vista mantidos por Cavallo. Isto é, quanto aos seus manifestados pontos de vista, de relacionamentos tendenciosamente favoráveis à negociação imediata na Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Tudo porque - como já se sabe - inexiste qualquer compromisso de negociação em bloco, tal como é contumaz na União Européia. Além da pressão exercida pelos Estados Unidos em adiantar a liberalização comercial na região, provocando associações bilaterais, a exemplo do que já ocorrera com o Chile no ano passado. Sem contar com a crise que vem grassando em prejuízo do Mercosul, em função da forte interferência da própria Alca (aos seus pés), e sob forte processo politicamente evolutivo.
Antes de deixar-nos, Domingo Cavallo (dia 13 deste, se a memória não me falha), no dia 14 nosso ministro Pedro Malan teria passado à imprensa, que Cavallo relatara estarem em análise na Argentina as medidas tributárias para aumentar a competitividade das empresas daquele país. Assim, teria afirmado ainda que: Serão incentivos de natureza fiscal para setores que possam ganhar mais competitividade, e com isso, enfrentar a sobrevalorização do peso. Coisa que infelizmente a Argentina - pelo menos por enquanto - não chegou à convivência com o anunciado na última quinta-feira (15/6); enquanto empresários e investidores internacionais, vivem forte crise de ceticismo nacional.
Quanto ao procedimento do Brasil ante os fatos trazidos à discussão, recebendo um apoio parcial e de sua fala na presença de Malan, Cavallo teria se mostrado relativamente satisfeito, expressando-se como bom vizinho. E que afirmou: O Brasil não está apoiando tudo o que queremos, mas as medidas não interferem no âmbito do Mercosul. Complementou afirmando de público, sua disposição em manter as negociações de comércio exterior em bloco.
Na oportunidade, Malan ressaltara que Cavallo não lhe comunicou nenhum pacote que viesse a cair sobre a cabeça dos argentinos. Falou também que sobre as medidas em andamento, segundo Cavallo, afasta a idéia equivocada de uma dolarização da economia argentina, antagônica ao projeto Mercosul. Queremos levar a produção do Mercosul para o mundo; teria afirmado Cavallo.
Entrementes, não obstante tais afirmativas quanto às impossíveis oportunidades de dolarização, dois dias depois: Vizinho em crise - Operações de comércio exterior serão cotadas por cesta de moedas, que combina dólar e euro, afirma Cavallo. Argentina desvaloriza peso para exportação, à Folha de 16/6.
A nosso ver, entretanto, acontecimentos de tal quilate e tipo, segundo o pensamento popular daqueles que atentam para a falta de perseverança (ou que ainda, por muitos motivos são gerados por engodo), necessitam ser catalogados como: faça o que eu mando, não faça o que eu faço. Fico por aqui.