O Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) iniciou uma nova varredura de cancro cítrico em 10 milhões de árvores, espalhadas por 30 municípios do Estado de São Paulo
É a terceira vez que este trabalho, no qual são inspecionadas todas as árvores de uma propriedade, é realizado.
A varredura é uma das responsáveis pela queda da incidência do cancro cítrico, uma vez que localiza todos os focos de cancro cítrico existentes: em 1999 foram 1.284 talhões contaminados e no ano passado 111 talhões.
Neste ano, a inspeção será feita por 200 pessoas, com base no levantamento amostral realizado nos meses de março e abril e que apontou a incidência da doença em 0,08% dos talhões do parque citrícola.
Durante o levantamento foram inspecionados 9,5 mil talhões, cerca de 10% dos talhões existentes no parque citrícola. Foram excluídos os talhões que têm histórico da doença e são acompanhados pelo Fundecitrus.
Sabemos que existem talhões contaminados nas regiões apontadas pelo levantamento, afirma o gerente técnico do Fundecitrus, Cícero Augusto Massari. Agora precisamos achar onde estão estes focos.
CVC
O Fundecitrus iniciou mais um levantamento para saber a incidência da Clorose Variegada dos Citros (CVC) nos pomares paulistas e do Sul do Triângulo Mineiro, além do grau de severidade da doença.
O levantamento está sendo feito pelos próprios engenheiros agrônomos do Fundecitrus, que avaliarão os sintomas em suas diversas fases. Serão inspecionadas 1,5 mil árvores de quatro variedades - pêra, hamlim, valência e natal. As plantas que servem de amostragem para o levantamento foram sorteadas, levando-se em conta, além da variedade, localização e idade.
A margem de erro dos resultados alcançados é de 5%, de acordo com o professor José Carlos Barbosa, do Departamento de Ciências Exatas da Unesp, que elaborou a metodologia. Ele acredita que a incidência ficará na mesma média do ano anterior, quando 34,03% das plantas do parque citrícola tinham a doença nos diversos níveis de severidade. No ano passado, 42 milhões de árvores 20,8% das plantas do parque citrícola - estavam no pior estágio da doença, já apresentando ramos com frutos pequenos. Outras 26 milhões de plantas apresentaram sintomas em estágio inicial, só em folhas.
Na opinião do pesquisador do Fundecitrus Pedro Yamamoto, a incidência da CVC está estável, principalmente por causa do manejo adotado pelos citricultores, mas a severidade da doença está maior este ano. O período seco em 2000 foi mais longo, explica. Está chovendo menos e esta condição climática favorece a manifestação de sintomas mais severos.
Em 2000 a severidade da doença aumentou 5,67% em relação a 1999, também causado pelas condições climáticas.