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O presidente da Câmara Municipal de Bauru, Walter Costa, e outras pessoas, inclusive vereadores, podem ter sido gravados ou escutados. Para o delegado J.J. Cardia o trabalho não é amador.

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

Equipamento, contendo chip, microfone importado e antena, encontrado na Câmara é usado para escuta clandestina

O presidente da Câmara Municipal, Walter Costa (PPS), solicitou a presença da Polícia Civil, ontem, para informar a descoberta de um equipamento eletrônico de escuta clandestina. O aparelho foi encontrado pelo servidor do setor de limpeza, José Wilson de Oliveira, atrás do armário da sala da presidência, ontem de manhã, quando era realizada faxina no local. Diante do fato, o vereador Walter Costa determinou a realização de uma vistoria no prédio e nos telefones.

O delegado da DIG-Garra, J.J. Cardia, registrou o boletim de ocorrência avaliando que o equipamento de escuta é sofisticado, com transmissão via antena e microfone Shure. Para J.J.Cardia, a escuta não é de nenhum amador no assunto. O presidente Walter Costa solicitou a presença do delegado no prédio às 14h15, quando soube da existência do equipamento. O aparelho contava com seis pilhas embrulhadas em fita isolante. J.J. Cardia falou que o boletim será encaminhado à Delegacia Seccional para andamento da apuração, por se tratar de fato ocorrido em ambiente político.

A DIG-Garra solicitou a perícia do equipamento para determinar potência e área de alcance. Segundo a presidência da Câmara, o equipamento transmissor foi colocado no prédio depois do dia 3 de fevereiro deste ano, quando foi realizada a última faxina completa na sala e nada foi encontrado. Diante disso, Walter Costa determinou que seja feita varredura no prédio da Câmara bem como nas imediações, na praça Dom Pedro II. Também será feito o rastreamento das linhas telefônicas da Câmara. Houve a informação de que o telefone da presidência também estaria grampeado.

O fato causou espanto entre alguns vereadores. A Câmara tem participado de discussões polêmicas e de grande repercussão junto à opinião pública desde o início do ano. Walter Costa disse que lamenta o fato mas que a escuta clandestina será frustrada porque, além de ser um ato ilegal, não terá nenhum objetivo. O que é falado e discutido na Câmara é público, feito de portas abertas e sem segredo. Portanto, além da escuta ser crime, o que possa ter sido gravado não tem nada que possa interessar a quem quer que seja. De qualquer forma, é lamentável que isso tenha ocorrido. Chegamos a um nível que precisamos nos preocupar até com espionagem.

O equipamento foi colocado em local escondido na sala da presidência, ação que exigiria que outras pessoas não estivessem no local no momento da ocorrência. Isso levou o presidente da Câmara a solicitar abertura de sindicância para apurar se houve participação de pessoal interno no fato. Por enquanto não há nenhuma informações suspeita. O transmissor provavelmente tinha as falas no ambiente captadas por um receptor localizado fora do prédio, o que exigiria que outra pessoa estivesse operando o aparelho durante um certo período.

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