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Viagra torna-se aditivo para jovens

Fabiano Alcantara
| Tempo de leitura: 3 min

Homens que não são impotentes tomam remédio para melhorar performance sexual. Abuso preocupa os médicos

O uso abusivo do Viagra está preocupando médicos urologistas. Ultimamente, pessoas jovens e sem histórico de impotência estão usando a droga para melhorar o desempenho sexual. O aditivo, no entanto, pode levar à impotência e causar sérios transtornos psicológicos.

O pessoal busca uma performance melhor para impressionar a parceira e acaba conseguindo. O problema é que mais para frente ele possa precisar do medicamento e ele não fazer efeito, alerta o médico Ivan Edson Rodrigues Segura. Tudo na vida é bom quando realmente necessário, é preciso equilíbrio, avalia.

O proprietário de uma grande farmácia de Bauru, que falou com a garantia de não ser identificado, confirma o uso irregular por pessoas jovens. Por incrível que pareça, tem muito jovem, na faixa de 30 anos, comprando o Viagra, afirma. Ele diz, no entanto, que a maior parte da clientela é de gente que realmente precisa da droga. Ele também disse que muitos jovens estão conseguindo a receita do remédio.

O médico Aguinaldo César Nardi culpa a falta de controle da droga pelo uso abusivo. No início, as farmácias tinham que reter a receita e enviar para o Ministério da Saúde. Hoje não há mais controle. Às vezes eu vou dar a receita para um paciente ele diz que não precisa, porque ele compra sem, alerta.

Riscos

De acordo com Nardi, pessoas jovens que estão usando o Viagra para melhorar o desempenho correm o risco de ficar impotentes. Indivíduos jovens não devem tomar o Viagra porque podem ter uma ereção prolongada. No caso de uma ereção de mais de seis horas, a pessoa pode ter uma fibrose no corpo do pênis. Depois disso, o pênis pode não conseguir se expandir e ele fica impotente, avisa.

Ele explica que a fibrose é um alteração nas células do pênis, que pode ser grave. Às vezes o jovem quer fazer uma farra e fica com um problema sério, afirma o médico.

De acordo com Segura, uma pessoa jovem sob a influência de Viagra, em alguns casos, chega a manter a ereção mesmo depois de ejacular. O Viagra é um potencializador do desempenho sexual, um multiplicador. Não dá para comparar a performance com e sem a droga, esclarece o médico Carlos Alberto Monte Gobbo.

Para Gobbo, o problema de quem toma o remédio sem precisar é ter uma queda na auto-confiança. O médico, no entanto, acha que o medicamento pode até ser aplicado em pessoas jovens, em casos excepcionais. Um rapaz que não está conseguindo ter relação com a namorada, por exemplo, pode tomar para vencer a timidez. As mulheres de hoje estão tomando mais a iniciativa e alguns ficam pressionados, afirma.

O médico diz, no entanto, que só tomaria uma medida assim após ter tentado de tudo. Ele também acha que a droga pode ajudar pessoas que tiveram o casamento desfeito e estão com receio de desapontar uma nova parceira. O uso seria indicado apenas no começo da relação. Não poderia ser aplicado sempre, neste caso se tornaria uma muleta, avalia.

De acordo com Gobbo, muitos pacientes já chegam ao seu escritório decididos a tomar o Viagra. Eu coloco os prós e os contras. Muitos vem pedir apenas uma orientação, conta o médico.

Para ele, pessoas de 30 anos que buscam o remédio por conta própria têm uma fraqueza da caráter. Todo homem tem o receio de falhar um dia. Uma pessoa nova iria ficar a vida inteira dependendo dessas muletas, avisa.

Quando o distúrbio da disfunção erétil é emocional, ela deve ser tratada por terapia. O medicamento pode até ser um suporte, mas não o tratamento definitivo, defende Nardi.

Coração

Ainda dentro dos riscos, os médicos urologistas alertam que o uso de Viagra por pessoas que tomam remédio que atuam no coração pode ser fatal. Gobbo explica que o Viagra é um vaso dilatador, testado inicialmente para ser um anti-hipertensivo. Pode levar à morte quem toma remédios como o Isordil e Monocordil, que são vaso-dilatadores à base de óxido nítrico, alerta o médico. É uma medicação nova, fica difícil saber o que pode causar a longo prazo, completa.

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