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A mulher mais inteligente que o califa

Rosane L. P. Pamplona
| Tempo de leitura: 2 min

O casamento realizou-se com muita pompa e os dois viveram bastante felizes por algum tempo. O califa sempre se admirava com a sabedoria dos conselhos e sugestões que sua mulher lhe dava e aos poucos foi delegando a ela o papel que antes cabia a seus ministros.

Estes, é claro, não gostaram nada de serem passados para trás; e, pior, daquela mulher tão atenta e perspicaz nada escapava - adeus época em que podiam cometer seus deslizes sem serem descobertos! Foi assim que resolveram tramar a ruína da sábia mulher. Maledicentes, foram se insinuando junto ao califa, despertando-lhe suspeitas sobre o caráter e a fidelidade da esposa: Afinal, tão esperta, como sabeis que ela não vos engana? ou ainda Como podeis permitir que uma mulher vos domine?

Foram tantas as intrigas, que o califa, envenenado pelas desconfianças e pelos ciúmes, chamou a esposa e ordenou-lhe que deixasse o palácio.

Ela, no entanto, não se abalou. Já havia algum tempo que esperava por aquilo, pois conhecia o caráter dos ministros. Assim, não chorou nem discutiu. Pediu apenas ao marido que fizessem juntos um último jantar, uma pequena festa de despedida. A isso o califa não se opôs. E naquela noite os dois desfrutaram de um lauto banquete, a que a mulher não deixou faltar um delicioso vinho, com o qual embriagou o califa. Tanto ela o fez beber, que dali a pouco ele caiu no sofá, profundamente adormecido. Sem perder tempo, ela chamou seu pai e pediu-lhe que a ajudasse a carregar o marido para fora do palácio.

Na manhã seguinte, quando acordou, espantou-se o califa ao ver-se na choupana miserável em que a moça morava antes de casar-se. Indignado, pediu-lhe que se explicasse.

- Muito simples, respondeu ela. Tenho testemunhas que podem lembrar-te da promessa que me fizeste antes de casarmos. Não juraste que, se me mandasses embora, eu poderia levar comigo o que julgasse mais valioso? Pois o mais valioso de tudo és tu, meu amor...

O califa soltou uma risada, ao mesmo tempo divertido e emocionado. Abraçou sua mulher, voltou com ela ao palácio, expulsou os ministros, e assim teve início um dos mais sábios, justos e felizes reinados de todos os tempos.

Rosane L. P. Pamplona. Ela recorda um conto da tradição sufi, que está sendo publicado em várias edições. É muito interessante! Confira a última parte.

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