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Hipertensão atinge 20% dos adultos

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 5 min

Em 5% a 10% dos casos, o problema tem origem numa causa específica. Nos outros 90% a 95%, a pressão pode ser controlada, mas não há cura

De acordo com o Ministério da Saúde, a hipertensão arterial acomete 11% a 20% da população adulta (acima de 20 anos). Considerando-se que o Brasil tem aproximadamente 170 milhões de habitantes (IBGE/Censo 2000), supõe-se que entre 19 milhões e 34 milhões de brasileiros sejam portadores do distúrbio. Porém, por ser uma doença silenciosa, os números não são exatos e podem até ser controversos.

O grande complicador da hipertensão - e isto é unânime entre os especialistas - é que mais da metade dos portadores não sabe que tem a doença e, portanto, não segue nenhum tipo de tratamento.

Resultado: a hipertensão age silenciosamente durante anos, lesando lentamente os órgãos vitais. Segundo o Ministério da Saúde, 85% dos pacientes com derrame cerebral e 50% dos pacientes com infarto do miocárdio apresentam hipertensão associada.

Tipos

De acordo com a cardiologista Sandra Regina Rodrigues, há dois tipos de hipertensão: a essencial e a secundária. Chama-se hipertensão essencial aquela que tem origem genética, ou seja, a pessoa já nasce com uma tendência a ter pressão acima do normal. Nos homens, ela costuma manifstar-se entre os 30 e 40 anos e, nas mulheres, a partir dos 45 anos, no período da menopausa, explicou a médica.

Também chamada de familiar, a hipertensão essencial manifesta-se em vários membros de uma mesma família. Por isso, pessoas cujos pais, irmãos, tios e avós têm pressão elevada têm quatro vezes mais chances de desenvolver o distúrbio e devem verificar a pressão duas vezes por ano. As outras, devem fazer a medição anualmente. Importante lembrar que as crianças também podem ter pressão alta, então, é preciso medir a pressão delas de vez em quando, disse Rodrigues.

Já a hipertensão secundária é aquela que é desencadeada por fatores externos ou comportamentais, como o uso de determinados medicamentos (emagrecedores, pílulas anticoncepcionais, corticóides, etc.), obesidade, estresse, tumores, disfunções de tireóide ou doenças renais. Nestes casos, quando existe uma causa, nós tratamos a causa e conseguimos reverter. Mas isso só é possível em 5% a 10% dos casos. Os outros 90% a 95% dos pacientes não têm cura e precisam de tratamento por toda a vida, ressaltou a médica.

Complicações

As conseqüências da hipertensão sobre o organismo humano são inúmeras. Nas artérias principais, a pressão freqüentemente elevada causa um desgaste das paredes. Com o tempo, alguns pontos podem se romper, resultando em hemorragias. Ou, ao contrário, as lesões passam a reter gordura, formando placas (aterosclerose) que dificultam ainda mais a passagem do sangue. Se uma artéria é totalmente obstruída, acontece o infarto. O hipertenso tem três vezes mais chances de sofrer um infarto.

Mas o organismo é composto, também, por milhares de arteríolas, ramificações muito pequenas, com cerca de 0,1 milímetro de diâmetro. Elas se contraem e relaxam o tempo todo e é esse mecanismo que controla a quantidade e velocidade do sangue que circula. No paciente hipertenso, esse mecanismo pode apresentar defeitos. Aí, ou os órgãos deixam de receber sangue e enfraquecem ou começam a receber sangue demais. São as insuficiências e os derrames. Sem tratamento, a pessoa hipertensa tem seis vezes mais chance de sofrer um derrame cerebral.

O coração do hipertenso também padece, porque tem que trabalhar mais. Como qualquer músculo quando faz ginástica, ele tende a crescer. Estando maior, o sangue que recebe não é suficiente para alimentar e oxigenar todas as células, obrigando-o a trabalhar cada vez mais, batendo de forma atrapalhada, causando dores e falta de ar.

A pressão elevada também pode causar complicações aos rins, responsáveis por filtrar e limpar o sangue. Devido à hipertensão, os rins passam a receber sangue em quantidade insuficiente ou com muita pressão e isso destrói suas células. Com o tempo, ele perde sua capacidade de filtrar as toxinas, causando uma série de problemas ao paciente.

Enfim, ao comprometer a circulação sangüínea, a hipertensão acaba resultando em inúmeros distúrbios - perda de visão, labirintite, dores nas pernas. E até impotência sexual: afinal, o que mantém a ereção é o sangue que chega ao órgão através de finíssimos vasos. Se esses vasos forem lesados, a impotência será inevitável.

O que é?

A pressão arterial é o nome que se dá à resistência que as paredes das artérias oferecem à passagem do sangue. As artérias apresentam uma certa elasticidade. Quando elas ficam apertadas e dificultam a circulação sangüínea, diz-se que a pessoa está com a pressão alta. Se esse aperto é constante, o indivíduo sofre de hipertensão e precisa de tratamento.

A pressão arterial é representada com duas cifras - a máxima (sistólica) e a mínima (diastólica). A sistólica indica a pressão do sangue sobre as artérias no momento em que o coração se contrai para bombear o sangue. A diastólica é a pressão no momento em que o coração relaxa. Esta medida é obtida com um aparelho chamado esfigmomanômetro e é expressa em milímetros de mercúrio (mm/Hg).

A pressão depende de uma associação entre a força com que o coração bombeia o sangue e a resistência que as artérias oferecem a esse impulso. Então, a pressão é baixa quando o coração bombeia menos e as artérias estão dilatadas e é alta quando o coração bombeia mais e as artérias se estreitam.

A maioria das pessoas tem pressão 12 por 8 (120mm/Hg de máxima, com 80 mm/Hg de mínima). Mas nós consideramos normal até 14 por 9. Quando ultrapassa esse nível, dizemos que a pressão está elevada e, se isso é constante, dizemos que o paciente é hipertenso, explicou a cardiologista Sandra Rodrigues.

Segundo ela, feito o diagnóstico, o paciente passa a ser acompanhado para determinar se a disfunção é leve, moderada ou severa. Considera-se hipertensão leve aquela cuja máxima varia entre 14 e 16; moderada a que varia entre 17 e 19; e severa a que ultrapassa os 19. Em todos os casos, é preciso fazer um tratamento contínuo, que pode exigir apenas mudanças de hábito ou uso conjunto de medicamentos.

Sem tratamento, a pessoa com hipertensão leve tende a viver seis anos menos do que aquela com níveis normais. Se a hipertensão é moderada, a expectativa de vida diminui em 16 anos. No caso da hipertensão severa, os riscos de morte são muito grandes.

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