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Frio espanta usuários do PS Central

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 2 min

Quando os termômetros baixam, o movimento na principal unidade de urgência e emergência da cidade chega a cair 36%. O dado seria mais uma mostra de que a população usa mal o serviço

A ocorrência de dias gelados confirma um dado que muitas vezes já foi contestado: a grande maioria das pessoas que procuram o Pronto-Socorro Central não precisa dos atendimentos de urgência e emergência. Na última quarta-feira, quando os termômetros despencaram, o movimento na unidade esteve fraco durante todo o dia. Coincidência? Não. Em outros dias de frio intenso, a direção do PS mediu a freqüência e constatou uma queda considerável. Em média, a demanda costuma ser 36% menor nos dias frios.

O número de atendimentos realmente de urgência e emergência, entretanto, mantém-se estável independentemente do clima - eles somam 30% da média diária de 365 pacientes. As estatísticas deixam claro que a esmagadora maioria dos usuários do Pronto-Socorro poderia ser atendida nas unidades de atenção básica, onde o tratamento concentra-se nas consultas e serviços ambulatoriais. O problema é que os núcleos costumam trabalhar com agendamento e o paciente quer ser atendido na hora. Quando isso acontece, e acontece toda hora, a pessoa não tem dúvida em recorrer ao PS, ainda que seja por uma dor na costa que a atormente há mais de um ano. É lógico que essa pessoa não vai ter a mesma disposição para sair de casa se estiver fazendo um frio de rachar. Ela vai agüentar mais um, dois dias ou quanto tempo o frio durar, observou Felinto dos Santos Neto, diretor do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde de Bauru.

É essa clientela com casos clínicos não urgentes, por sinal, que ajuda o Pronto-Socorro Central operar no limite da capacidade todos os dias. Não nos negamos a prestar o atendimento, até porque sabemos da sistemática dos núcleos, mas a prioridade é dada aos casos de emergência e urgência. Isso precisa ser entendido de uma vez por todas pelos usuários, que reclamam quando alguém passa à frente na ordem de chegada. Não podemos deixar alguém esperar uma sutura para atendermos quem, por exemplo, está com dor de garganta, ilustra Santos Neto. Na opinião dele, a população também precisa fazer sua parte no que tange à utilização do serviço. As pessoas precisam entender que o Pronto-Socorro existe, como o próprio nome diz, para atender casos graves e urgentes, ensina.

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