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"Arruaça legalizada"

Ivan Garcia Goffi
| Tempo de leitura: 2 min

Data maxima venia, ouso aqui discordar (não como advogado, mas como cidadão) do apoio que a Seccional da OAB de Bauru prestou ao líder nacional do MST, João Pedro Stédile, que veio a Bauru para ministrar uma palestra sobre o Movimento. Repudio a injustiça e luto incessantemente contra ela, mas dentro dos limites impostos pela lei. O MST, em sua luta pela reforma agrária, usa e abusa da violência, dos saques, da depredação e do direito à propriedade. Aliás, entram em delírio coletivo quando invadem uma fazenda que tenha um Mercedez ou uma camionete de luxo, não hesitando em atear fogo nestes sob o brado de estarem lutando contra os latifundiários e oligarquia. Justiça e Direito são institutos distintos. Justiça é o sentimento que se tem daquilo que seja correto; Direito, é a normatização, é a concretização, em leis, desse sentimento. Logo, uma sociedade que seja baseada somente na Justiça é volúvel, carecendo de normas legais para regulamentá-la. Uma sociedade sem leis não é uma sociedade, muito menos uma democracia, pois impera a anarquia absoluta. Esse é o MST. A OAB, no uso de suas prerrogativas inerentes ao labor advocatício, não pode olvidar-se de estabelecer o contraditório para não violar o devido processo legal. Se a palestra tinha cunho social, que se ouça os dois lados da moeda para que a balança da Justiça prevaleça. Esse movimento, calcado numa retórica ultrapassada e num discurso marxista, trajando bonés e camisetas de Che Guevara, ultrapassa todas as normas legais, violando direito alheio sob o pretexto de lutar pelas causas sociais, como se a sociedade somente existisse para eles ou eles fossem o centro gravitacional da sociedade. Se pretendem chamar a atenção do governo ao problema social, que o façam pelos modos legais; se não conseguirem desta forma, deveriam atear fogo ao próprio corpo ou então circundar-se de explosivos para detonar o presidente ou o ministro da Reforma Agrária. Deveriam morrer pela causa, não foi isso que fizeram os seus heróis históricos? Contudo, é mais fácil detonar o patrimônio alheio, não é mesmo? Depois disso, o que vier é lucro. (Ivan Garcia Goffi - OAB/SP 165.173)

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