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Assembléia decide destituir diretoria de sindicato

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Durante a assembléia realizada ontem, por trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), foi decidida a instauração do processo de destituição do presidente, vice-presidente e do diretor administrativo-financeiro do Sindicato dos Trabalhadores nos Correios de Bauru e Região. Segundo o suplente do Conselho Fiscal da Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios (Fentect) e coordenador da oposição na região, José Aparecido de Oliveira, ainda hoje a comissão que representa os funcionários da ECT ingressará com uma ação judicial com esse objetivo.

Um dos pontos principais discutidos na assembléia foi a falta de prestação de contas aos trabalhadores sindicalizados por parte da diretoria da entidade, que nunca teria sido feita durante os 12 anos da gestão de Francisco Theodoro de Souza Neto (o Chico) na presidência. Os atuais vice-presidente e diretor administrativo-financeiro do sindicato, que também são alvos de afastamento do cargo, são José Aparecido Gimenes Gândara e Anésio Rodrigues, respectivamente. Também ficou decidido, na assembléia, que os atuais titulares do Conselho Fiscal do sindicato serão substituídos pelos suplentes. Segundo Oliveira, também participaram da reunião de ontem trabalhadores das cidades de São Paulo, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro, entre outras.

De acordo com ele, um grupo de representantes dos funcionários da empresa foi até a sede do sindicato, ontem de manhã, com o objetivo de realizar a assembléia lá, bem como para tentar estabelecer mais um contato com o presidente da entidade. Sem sucesso, seguiram até o pátio do Sindicato dos Bancários, onde a reunião foi efetivada.

A assembléia teve amparo legal, pelo estatuto da entidade. Nós fomos até o Sindicato dos Correios para fazer a assembléia lá e tentar falar com o Chico, para ele participar. Chegando no local, uma pessoa nos disse que ele não estava. Então, seguimos para o Sindicato dos Bancários. O abaixo-assinado feito por nós, que colheu 90 assinaturas de funcionários sindicalizados contra a permanência de Chico na presidência, foi protocolado na última terça-feira, pela manhã. A partir disso, ele tinha um prazo legal de três dias para convocar uma assembléia. Como ele não fez nada e nem se manifestou, na sexta-feira nós convocamos a reunião com os trabalhadores, através de abaixo-assinado, diz Oliveira.

De acordo com ele, além das denúncias de irregularidades administrativo-financeiras relacionadas à gestão de Souza Neto, que estariam sendo recebidas pelo grupo de oposição ao sindicato há vários anos, um dos pontos discutíveis de toda essa questão é a permanência de 12 anos do presidente à frente do sindicato, desde que foi constituído. Pelo estatuto, o mandato da permanência é de sete anos, o que também já seria discutível do ponto de vista democrático. Além disso, a reeleição de Souza Neto teria ocorrido de forma suspeita.

Além de estar na presidência desde que o sindicato foi formado, há 12 anos, o Chico nunca fez uma prestação de contas à categoria para os trabalhadores saberem em que está sendo aplicado o dinheiro das contribuições sindicais. Então, vamos solicitar uma auditoria para constatar isso e outras coisas, diz Oliveira. Segundo ele, até o final da assembléia nenhum membro da diretoria da entidade compareceu ao Sindicato dos Bancários para se manifestar sobre as discussões e denúncias.

Outro objetivo dos trabalhadores, segundo Oliveira, é integrar o sindicato de Bauru à Fentect, já que seria o único dos 35 existentes no País que nunca foi filiado à Federação. Dos cerca de três mil trabalhadores do setor, na região, apenas 140 são associados. O sindicato de Bauru corrdena 196 cidades.

Na tarde de ontem, a reportagem tentou contato com Souza Neto, pelo telefone do sindicato, mas a pessoa que atendeu à ligação se identificou como guarda do prédio e disse que o presidente da entidade não havia passado por lá durante o dia.

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