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Presos do Cadeião tentam nova fuga

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

Um carcereiro descobriu um buraco na laje do banheiro de uma das celas, por onde os presos fugiriam, ontem à tarde

Os presos que ocupavam a cela 3 da Cadeia Pública de Bauru, o Cadeião, estavam planejando fugir. Ontem, por volta das 18 horas, os carcereiros de plantão descobriram um buraco com cerca de 35 centímetros de diâmetro feito na laje do banheiro da cela 3, já quase o suficiente para a passagem de um homem.

No buraco da laje havia uma teresa (corda improvisada com lençóis), que seria usada na fuga. Se o buraco não fosse descoberto, usando a teresa, os 23 presos que estavam na cela 3 poderiam chegar ao telhado da cadeia e, em seguida, pular para a avenida Nações Unidas. O delegado Roberto Cabral Medeiros, diretor do Cadeião, acredita que os presos iriam tentar fugir ontem à noite ou na madrugada de hoje, após alargar um pouco mais o buraco.

Os presos estariam planejando fugir à noite porque a probabilidade de serem pegos seria menor, pois a movimentação de pessoas nas ruas é pequena. A tentativa de fuga anterior, no último dia 17, quando os presos cavaram um túnel em uma das celas, também foi frustrada pela ação rápida dos carcereiros, como ontem.

Segundo contou o diretor do Cadeião, ontem à tarde um dos carcereiros ouviu um barulho estranho vindo da direção da cela 3. Comunicado do fato, o delegado, que estava no Cadeião no momento, determinou a revista imediata da cela. Para a revista, os presos foram retirados do xadrez e distribuídos entre as outras celas do Cadeião.

Na revista, os policiais acharam o buraco no teto do banheiro e a teresa. Conforme explicou Cabral, 80% do buraco já estava escavado. O delegado ressaltou que a descoberta do buraco na laje, menos de 15 dias após a descoberta do túnel, demonstra que os presos estão mesmo pensando em fuga e, por outro lado, que os policiais do Cadeião estão atentos.

O diretor do Cadeião frisou que nem sempre é fácil ouvir o barulho da escavação de túnel e buraco e de grade sendo serrada porque os presos fazem movimentação paralela para que a tentativa de fuga não seja descoberta. Entre outros artifícios, os presos, de uma só vez, batem as garrafas plásticas tipo pet, nas quais é servida água, para que o barulho da escavação não seja ouvido.

Em função do buraco na laje do banheiro, a cela 3 precisou ser interditada. Com isso, os 23 presos deste xadrez foram distribuídos em outras celas, aumentando ainda mais a superlotação. A sorte é que as duas celas interditadas na tentativa de fuga do último dia 17 foram consertadas na semana passada e já voltaram a abrigar os presos.

No início da noite de ontem, o Cadeião estava com 168 presos, muito além da sua capacidade. A real capacidade da Cadeia Pública de Bauru é de 35 presos e não 70, como costumeiramente é divulgado pela imprensa, de acordo com Cabral. O delegado voltou a lembrar que Bauru, pelo número de presos, comporta um Centro de Detenção Provisória (CDP) nos moldes dos construídos na Capital e algumas cidades do Interior, como Sorocaba, em substituição a cadeias.

Após fazer um levantamento dos presos provisórios de Bauru e região que estão em cadeias, o delegado seccional Antônio Ângelo Ciocca, através do Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter-4), solicitou à Secretaria de Administração Penitenciária a construção de um CDP em Bauru, mas fora da área urbana.

O CDP, que poderia ser construído próximo às Penitenciárias I e II ou ao Instituto Penal Agrícola (IPA), substituiria o Cadeião, resolvendo, assim, o problema de superlotação. Além disso, a reivindicação antiga, de vários setores da comunidade, de transferência dos presos para fora da área urbana, seria atendida.

Em março deste ano, o secretário-adjunto da Administração Penitenciária, José Carneiro de Campos Rolim Neto, disse ao JC que construir um CDP apenas para atender Bauru não era possível porque a demanda de presos provisórios da cidade é pequena - em outras cidades, o CDP abriga em torno de 700 detentos. No entanto, o diretor do Cadeião disse, ontem, que somando os presos da região e de Bauru justifica sim a construção de um CDP.

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