Após a publicação de uma matéria no último sábado, no Jornal da Cidade, que informava sobre os investimentos de R$ 4 milhões anunciados pela diretoria do Banespa (controlado pelo Santander) para as três agências do banco instaladas em Bauru, o Sindicato dos Bancários procurou o JC para comentar o assunto. Segundo o assessor de comunicação do sindicato, Marcos Silvestre, os investimentos anunciados destinam-se, principalmente, à instalação de máquinas, o que geraria ainda mais desemprego.
Os investimentos destinam-se, majoritariamente, à troca e instalação de máquinas de auto-atendimento e reforma de agências, com a utilização no novo layout da cor preponderantemente usada pelo banco espanhol Santander, que é o vermelho. Os R$ 4 milhões não gerarão novos empregos em Bauru e trará benefícios e retornos (lucro) somente ao Santander. Além disso, boa parte dos equipamentos e componentes do novo maquinário é importada, afirma Silvestre.
De acordo com ele, o Santander estará investindo, nos próximos meses, cerca de R$ 800 milhões em equipamentos (máquinas de auto-atendimento) e reforma das agências em todo o País. Tal investimento, por seu objetivo de colocar máquinas para substituir seres humanos, causará mais desemprego em todo o Brasil, inclusive em Bauru, segundo destaca Silvestre. A vice-presidência de Meios do Banespa elaborou um projeto de reestruturação dos serviços do banco denominado de Projeto 2001. De acordo com esse projeto, durante este ano, 70% das transações de saques, 70% dos depósitos, 70% dos pagamentos e 90% das consultas de saldo deverão ser feitas nas máquinas de auto-atendimento, e não nos caixas, por funcionários, como são feitas atualmente, diz o assessor de comunicação do sindicato.
De acordo com ele, o Projeto 2001 do Santander, que prevê o investimento de R$ 4 milhões em Bauru e de R$ 800 milhões no País, deverá reduzir drasticamente o contato dos funcionários do banco com os clientes, sobretudo aqueles com menores recursos. Para o sindicato, se concretizado, o projeto causará a redução do número de postos de trabalho, gerando mais desemprego.
Essa situação, tratada pela diretoria do banco como modernização, deve ser encarada pela população, sobretudo a paulista, que já foi proprietária do Banespa, com apreensão. Afinal de contas, o que é moderno? Moderno é ter cada vez mais máquinas substituindo o trabalho humano e causando mais desemprego? Ou moderno é ter cada vez mais pessoas empregadas, com salários decentes e condições de vida dignas? Parece óbvio, mas vale ressaltar que as máquinas não consomem e, assim, não movimentam a cadeia produtiva. Máquina não vai ao mercado, aos bares, às lojas, não abastece automóveis, não compra roupas e alimentos, não vai ao cinema etc, enfatiza Silvestre.
Por fim, o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região está reiterando o pedido de apoio aos bauruenses para a luta contra a redução do número de trabalhadores no Banespa e em todo sistema financeiro do País.