Geral

Fábulas, verdades eternas

(*) Maria A. Blasi de Toledo Piza
| Tempo de leitura: 2 min

De onde vem o encanto das fábulas, dos contos clássicos infantis?

Desde tempos imemoriais estas histórias eram contadas junto à lareira, para as crianças sentadas no colo dos pais ou aconchegadas em suas caminhas, enquanto o inverno cruel passava lá fora.

As histórias todas tinham algumas linhas em comum: crianças perdidas que reencontravam os pais, a bondade reconhecida e recompensada, bichos selvagens que se submetiam à força das virtudes do herói, a recompensa da perseverança...

Quando, no século 19, a onda romântica do nacionalismo tomou conta da civilização ocidental, muitos estudiosos puseram-se em campo para pesquisar esta sabedoria popular que engendra e guardara por século as lendas e histórias de cada povo. Na Alemanha, os irmãos Grimm percorreram as aldeias, uma a uma, colhendo as histórias contadas ao pé do fogo, anotando-as e comparando-as. Logo saíram editados os Contos de Grimm, em que as versões mais completas destas histórias estavam narradas por escrito, finalmente.

É interessante observar que nestas primeiras versões, os malvados tinham um fim duro e cruel e predominava, não apenas a vitória do bem sobre o mal, mas a justiça olho-por-olho. Desta forma, Chapeuzinho Vermelho tinha sido comida, e pronto. Ficava a lição para as outras crianças. Madrastas que maltratavam princesinhas, eram justiçadas sendo arrastadas pela estrada por um cavalo bravo ou como a Moura-Torta, enterradas até o pescoço para que as formigas as devorassem. De arrepiar. A adaptação feita pelos pedagogos que surgiam, adoçou muito o final das histórias, incluiu o perdão e em casos irremediáveis, os vilões eram expulsos do reino para sempre. Outras histórias tiveram partes cortadas por decoro, como Rapunzel, que já tinha dois filhos com ela na torre, quando a bruxa a expulsou. (Mas que Príncipe frouxo que construiu sua família neste lar tão incômodo!)

Hoje, o interesse pelas pesquisas sociais está fazendo com que as edições originais sejam reeditadas na íntegra, não só dos irmãos Grimm, mas de outros escritores, incluindo Andersen, que era o autor original de seus contos. Na mesma trilha dos livros seguem os ilustradores, que criaram os personagens e suas paisagens, acrescentando encanto e um toque especial às histórias.

Mesmo em meio à vasta produção de literatura infantil atual, nada rouba o lugar dos clássicos. Mesmo sob a ótica do cinema animado de Disney, que apresenta sua versão própria dos clássicos, as história e lendas do passado conservam sua força, representantes que são de uma cultura milenar da humanidade: o próprio substrato de nossa alma.

(*) Maria Amélia Blasi de Toledo Piza é doutoranda em Artes pela Unesp, pintora, escritora e colaboradora de Ju Machado Escritório de Arte.

Comentários

Comentários