As manifestações dos leitores no JC de domingo fizeram-me recordar o velho (e querido) mestre Gastão, quando nos ensinava: O Brasil não tem meio termo. Aqui, ou está tudo uma maravilha ou tudo perdido. Pelas cartas, vivemos tempos de perdição absoluta. Há, é lógico, os que sob o manto de censores sociais mal disfarçam seus interesses ideológicos-partidários e o seu ranço ditatorial quando utilizam expressões do tipo: O povo é o culpado, se nas próximas eleições vocês votarem certo e outras besteiras do tipo. Mas há os que, sinceramente, lêem no presente somente angústia e a estes eu gostaria de sugerir uma leitura mais atenta, no mesmo jornal, da matéria sobre a Embraer, maior exportadora brasileira e maior produtora mundial de jatos regionais. É, este paisinho que os profetas do desastre insistem em colocar na tumba tem como maior produto de exportação não mais o café, a soja, os primários, mas aviões a jato, o que desbanca e incomoda Canadás da vida, mas não sensibiliza seu próprio povo pelo pré-fabricado sentimento de derrota. E olha que a Embraer andou mal das pernas. Há alguns anos cogitou-se até sua falência. Salvou-a a privatização e a parceria com grupos internacionais. Tivessem sido levados a sério os que, à época, como hoje, debateram contra a venda do nosso patrimônio e contra a globalização, teríamos mais uma estatal ineficiente às portas da falência, socorrida com dinheiro público, existindo apenas para assegurar empregos atrativos para uma minoria de privilegiados, aí, ao invés de aviões, exportaríamos mais derrotismo. Dá prá pensar? (Carlos Ladeira - secretário municipal do PSDB)
escolha sua cidade
Bauru
escolha outra cidade