Empresas do setor metalúrgico estão concedendo férias coletivas a seus empregados por causa das metas de racionamento de energia e de seus impactos negativos na economia. Até o momento, já foram anunciadas férias coletivas, que costumam ocorrer apenas no final do ano, para 12.850 metalúrgicos.
A unidade da Volkswagen em São José dos Pinhais dispensou ontem 2 mil funcionários da produção por dez dias. Neste período, a montadora deixará de fabricar 4.050 veículos. A empresa espera reduzir o consumo de energia em até 12%. As unidades de Taubaté e São Bernardo do Campo, ambas em São Paulo, cancelaram o contrato de trabalho com seus funcionários que estava marcado para três sábados a partir deste mês. Segundo a assessoria e imprensa da Volkswagen, estes metalúrgicos seriam remunerados em horas extras.
A Fiat Automóveis também anunciou que vai dar férias coletivas de dez dias a 2,5 mil dos seus 10 mil funcionários da fábrica de Betim (MG) a partir do dia 9. A medida, segundo a empresa, é para adequar a produção à demanda atual do mercado, que deve apresentar uma retração de 10% neste mês e no próximo. As revendas da marca têm em estoque cerca de 28 mil veículos. O superintendente da Fiat, Gianni Coda, disse esta semana que, além do racionamento de energia, a alta dos juros e a instabilidade do dólar são fatores que estão provocando uma desaceleração na economia. Ele acredita, no entanto, que a partir de agosto a situação melhore.
As montadoras ainda não fecharam números, mas é inegável que os prejuízos causados com o racionamento de energia não serão pequenos. E quem esperava que a situação fosse revertida no Supremo Tribunal Federal (STF), se enganou. Os ministros mantiveram o corte e a sobretaxa para quem não cumprir a meta. Então, não há outra saída, a não ser apertar o cinto.