Geral

Vida de um só caminho

N. Serra
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Comoveu profundamente, em todos os quadrantes, o pavoroso terremoto ocorrido em áreas do Peru no final da semana passada. O fenômeno assolou pesadamente todo o Sul peruano, devastando muitas vias públicas, destruindo milhares de prédios residenciais e profissionais e levando à morte mais de uma centena de pessoas de várias idades, além de deixar quase 1.500 feridos de diversas idades. E não ficou nisso, desabrigando e abrindo para a fome cerca de 46.500 habitantes. Foi considerado, conseqüentemente, a maior catástrofe ecológica acontecida no país vizinho, porquanto suas consequências avançaram muito além das que já tinham ocorrido naquelas grandes paragens, tanto assim que a partir dela os peruanos passaram a viver dias como os que jamais tinham experimentado. Já por essa razão, a Organização dos Estados Americanos está dirigindo apelo à Solidariedade Internacional para que todas as nações colaborem generosamente com recursos financeiros e materiais, enviando ao Governo e instituições aquilo que de agora em diante possam necessitar a fim de que a nação venha a se recuperar, de toda a sua gama de problemas, tão breve quanto possível. Também o presidente do Fundo Inter-Americano de Assistência a Situações de Emergência está se dirigindo ao mundo, rogando que todos quantos possam remetam o que possuam. Se muitos pedem, por que não dar? É então, o momento asado para que outros povos, felizes por não terem o problema, se lembrem da verdade que algum vivente dirá emocionalmente: Só passarei por este mundo uma vez. Assim, todas as boas ações que possa praticar e todas as gentilezas que eu possa dispensar a qualquer ser humano, devo aproveitar este momento para fazê-lo. Não devo adiá-las, nem esquecer-me delas, pois não voltarei a passar por este caminho.

Há que se ter a partir daí o que se poderia dizer, parodiando, sendo o caso, de uma verdade verdadeira, pois a oportunidade é fundamentalmente propícia para que ninguém negue àquela gente, tradicionalmente laboriosa, imensamente culta, um pedaço da bondade de seus corações, uma vez que, como termina expressivamente a oração, ninguém passará mais de uma vez pelo caminho da vida, e, então, ninguém pode deixar de fazer a sua parte de solidariedade e amor no mundo em que vive, na esfera humana que ajuda a movimentar para que não estacione no horizonte. Ao contrário terá de persistir corajosamente, prosseguindo de forma ininterrupta rumo ao destino que lhe esteja reservado desde o nascedouro. É a nossa opinião.

(O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado).

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