O Brasil tem cerca de 250 mil ONGs cadastradas, mas muitas entidades enfrentam dificuldade financeira para atuar
De acordo com Salete Valesan Camba, representante da Associação Brasileira das ONGs (Abong), professora universitária e coordenadora do Instituto Paulo Freire, a principal dificuldade das Organizações Não-Governamentais (ONGs) continua sendo conseguir apoio financeiro para a sua sobrevivência. Ela foi uma das palestrantes do encontro regional de ONGs promovido pelos alunos do 5º termo do curso de Relações Públicas da Unesp, ontem, cujo tema foi Voluntariado, Cidadania e Política. Segundo Salete, atualmente existem 250 mil ONGs cadastradas no País.
De acordo com a professora, essas organizações têm como característica principal a luta por uma causa, pela conquista de direitos humanos e pela atuação nas questões ligadas à política social de um país. Segundo Salete, para uma ONG ser uma instituição legalizada é preciso ter um registro no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) e possuir um estatuto ou regimento, que irá definir a finalidade da organização. Atualmente, existem 250 mil ONGs registradas no Brasil, além das que não são registradas e que, segundo Salete, são muitas.
De acordo com a coordenadora do Instituto Paulo Freire, a principal dificuldade das ONGs continua sendo conseguir recursos financeiros. Ainda é muito difícil para as ONGs conseguir recursos financeiros. Somente as fundações e institutos empresariais não são atingidos por essas dificuldades, porque já nascem com recursos próprios. Atualmente, o apoio ao chamado terceiro setor é crescente, por parte de empresas. O governo está começando a abrir algumas portas. Porém, tem a perspectiva de que isso saia da sua responsabilidade. Então, incentiva o voluntariado e as ações da sociedade civil ao mesmo tempo em que se retira das causas sociais, observa.
Para Salete, nesse ponto está a grande diferença entre uma ONG e uma fundação. A ONG, mesmo quando atua com recursos governamentais, prossegue com o seu principal objetivo, que é cobrar responsabilidade e compromisso do governo. Afinal, o Governo Federal, o Estado e as prefeituras são os primeiros responsáveis pelas políticas públicas sociais. Então, uma ONG pode ser fomentadora e constituir políticas públicas sociais junto ao governo, mas, em momento algum, pode substituí-lo. Essa responsabilidade sempre será do governo e, cada vez mais, as ONGs terão que cobrá-la, afirma Salete Camba.
Para ela, o principal objetivo do evento de ontem, na Unesp, foi fortalecer a concretização de ações sociais da sociedade civil, quebrar tabus culturais e criar novas atitudes da sociedade civil brasileira em relação à responsabilidade social dos cidadãos comuns e de empresários. Para você ser um cidadão global, precisa começar fazendo ações locais. Essa consciência precisa ser despertada junto à sociedade, observa Salete Valesan Camba.