Geral

Comentário esportivo

Leonardo de Brito
| Tempo de leitura: 5 min

QUASE O CAOS

A estréia do técnico Luiz Felipe Scolari na Seleção Brasileira não poderia ser pior. Sem criatividade, o Brasil perdeu para o Uruguai e complicou sua situação nas Eliminatórias para a Copa do Mundo. Os brasileiros continuam em quarto lugar, mas agora na companhia dos uruguaios. O clássico sul-americano no Estádio Centenário começou equilibrado, com o Brasil tendo até mais volume de jogo, porém enfrentando uma Celeste Olímpica que levava perigo nos contra-ataques. O clima de nervosismo era evidente, e as melhores chances de inaugurar o marcador eram do Uruguai. O Brasil só deu sinal de vida na metade do primeiro tempo, quando Élber tabelou com Rivaldo e cruzou para Romário cabecear e obrigar o goleiro Carini a fazer defesa difícil. O gol solitário da partida, de bola parada, surgiu numa jogada infantil do experiente Cafu, ao derrubar Recoba. No segundo tempo o Brasil pressionou mais, mas de forma desordenada. O Uruguai, por sua vez, passou a marcar mais forte ainda e soube administrar a vantagem até o apito final do árbitro. O pessimista é antes de tudo um chato. Mas existe uma coisa chamada realismo. Pelos meus cálculos, mesmo que derrote o Paraguai na próxima rodada das Eliminatórias, o Brasil não vai conseguir melhorar na classificação: continuará no incômodo quarto lugar. Tudo porque o Equador, em terceiro lugar, tem quatro pontos a mais do que a Seleção de Felipão. Agora, se perder para o Paraguai e Colômbia e Uruguai vencerem Peru e Venezuela, respectivamente, o Brasil cairá para a sexta posição, que sequer tem o direito de disputar a repescagem com a Austrália.

PARA O ESPAÇO

Foi realmente um domingo ruim para o futebol brasileiro: além da derrota da Seleção principal, em Montevidéu, a nossa equipe nacional Sub-20 foi eliminada do Mundial da categoria. E a exemplo do que aconteceu nas duas últimas Olimpíadas, uma Seleção africana eliminou o Brasil no gol de ouro - ou morte súbita. Ontem a derrota foi para Gana, nas quartas-de-final do Mundial Sub-20, na Argentina. Em Atlanta-99, no gol de ouro, a Nigéria despachou os brasileiros nas semifinais. Em Sydney-2000, nossa Seleção Olímpica, que era Sub-23, também foi derrotada na morte súbita - nas quartas-de-final - por Camarões, que estava com dois jogadores a menos em campo. Ontem, o sonho do tetra foi para o espaço.

PREJUÍZO

Com o adiamento da Copa América para o próximo ano, a Traffic, que tem os direitos sobre o evento no Brasil, terá um prejuízo de mais de 10 milhões de dólares, segundo um diretor da empresa. A maior parte desse valor se deve ao fim dos acordos de transmissão por emissoras de televisão, que haviam sido comercializados para 160 países. FAVORITO

No jogo de sábado, em João Pessoa, o Tricolor conquistou uma justa vitória de 2 a 0, e pode perder por um gol de diferença na próxima quarta-feira, que ainda assim garante vaga na final da Copa dos Campeões, contra Flamengo ou Cruzeiro. Coritiba chegou às semifinais da Copa dos Campeões com status de zebra da competição após ter eliminado o Corinthians vencendo os dois jogos da primeira fase. O São Paulo, depois de duas goleadas em cima do Sport Recife, era favorito para o confronto contra os paranaenses, e não deu outra. Aliás, agora aparece como favorito para conquistar a Copa dos Campeões. Para se classificar, o Coxa precisa vencer o jogo de volta por três gols de diferença.

NA JUSTIÇA

O passe de Deivid está arbitrado na Federação Paulista de Futebol por cerca de R$ 6,5 milhões, e o Santos promete brigar pelos seus direitos. O atacante deixou a Vila Belmiro quinta-feira, depois de ter sido abordado por algumas pessoas que exigiam sua assinatura numa folha de papel. Deivid não aceitou, conversou com Geninho sobre a pressão recebida e conseguiu a dispensa dos treinos daquela manhã. E não voltou mais ao CT Rei Pelé. O garoto vai se apresentar hoje ao seu clube de origem, o Nova Igauçu - Baixada Fluminense - onde aguardará a definição de seu futuro. O caso Deivid vai mesmo parar na justiça.

SÓ ALEGRIA

Quando o árbitro usou o apito pela última vez no jogo de sábado, mais de 15 mil torcedores estouraram o alambrado do Estádio Jaime Cintra e invadiram o campo. Houve volta olímpica com a taça de campeão da Série A-II e pagadores de promessas, percorrendo o gramado de joelhos. Nas ruas de Jundiaí houve festas por todos os cantos, com desfile em carro do Corpo de Bombeiros. Na cidade italiana de Parma, a família Tanzi, dona da Parmalat, que é dona do Etti, acompanhou via satélite a conquista do título pelo clube brasileiro da Terra da Uva.

TRISTEZA

A torcida do Comercial está triste, inconformada com o rebaixamento da equipe. Enquanto o Comercial foi o vice lanterna da Segundona, seu rival de Ribeirão Preto, o Botafogo, foi vice-campeão estadual, disputando o título com o Corinthians. Já o Sãocarlense luta na Justiça para também não cair. Com 32 pontos, a equipe de São Carlos tenta evitar a perda de cinco pontos por ter utilizado um jogador irregular durante o campeonato. O outro time que pode cair é o São José, que terminou o campeonato da Série A-II empatado com o Comercial em número de pontos (30) e de vitórias (seis). Mas se for confirmada a perda de cinco pontos do Sãocarlense, o time do Vale do Paraíba não será rebaixado, porque leva vantagem sobre o Comercial no saldo de gols.

REI DO ACESSO

Quando Vítor Hugo foi demitido, vários treinadores procuraram o Noroeste, oferecendo seus serviços. Um deles, Vágner Benazzi, conhecido como rei do acesso - sob seu comando, doze clubes foram promovidos de divisão. Benazzi foi logo garantindo: Se eu assumir, o Noroeste sobe. O Alvirrubro não quis gastar dinheiro, preferindo a solução caseira.

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