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Primeira sessão de júri em Bauru completa 90 anos

(*) Luciano Dias Pires
| Tempo de leitura: 3 min

Quatro meses depois de instalada a Comarca de Bauru, evento este que aconteceu em 9 de março de 1911, funcionou pela primeira vez em nossa cidade uma sessão de júri, fato este que ocorreu precisamente no dia 3 de julho daquele ano.

Sentou no banco dos réus o cidadão Sebastião Antônio Rodrigues, o qual, em 16 de setembro de 1906, fazendo uso de uma espingarda, assassinou com vários tiros Manoel Cândido Ferreira, em Pirajuí, que naquele tempo tinha a denominação de São Sebastião do Pirajhui. Dois dias depois de praticado o crime, ele foi preso e levado para Lençóis, que era, na oportunidade, a sede de comarca. Em 1907, Sebastião, valendo-se da insegurança da cadeia conseguiu fugir. Para responder pela morte de Manoel Cândido Ferreira, foi enviado para Agudos, isto em 1909 em cuja localidade o julgamento vinha sendo protelado. Com a criação da comarca de Bauru, para aqui foi transferido e julgado, tendo sido sentenciado a 24 anos de prisão. Não se conformando com a pena, a defesa que esteve a cargo do dr. Levino José Pacheco, designado, apelou e no novo júri foi outra vez o réu condenado a 24 anos. No Tribunal de Justiça, depois da apelação, a punição foi confirmada. A presidência do Estado, examinando uma solicitação de indulto, não o concedeu. Não foi também obtido êxito no pedido de revisão de processo ao Supremo Tribunal.

Sebastião Antônio Rodrigues foi encaminhado para a penitenciária do Estado, onde deve ter cumprido a pena e dele nunca mais se teve notícias. Essa primeira sessão do júri de Bauru foi realizada sob a presidência do dr. Rodrigo Romeiro, o primeiro juiz de Direito designado para a nova comarca, o qual, exerceu o cargo por mais de 20 anos. Dr. Benjamin Pinheiro foi o primeiro promotor público da terra bauruense e foi ele quem atuou nesse caso. Sua presença em Bauru foi rápida e sua substituição recaiu no dr. Eduardo Vergueiro de Lorena, que permaneceu na função por alguns anos. Depois, alcançou destaque na vida política da cidade e da região. Ocupou também a chefia do Executivo em diferentes períodos. Foi deputado estadual e tornou-se um homem público de grande influência.

Ainda com relação à primeira sessão de júri de Bauru, salientamos que José Lúcio de Carvalho funcionou como escrivão. Dos trabalhos, participaram ainda os oficiais de Justiça Joaquim Fernandes da Cruz, vindo de Agudos e Manoel Francisco Pereira. Para o júri, foram intimados 48 cidadãos, pois naquela época assim era exigido pela legislação em vigor, porém, compareceram 38. O primeiro jurado, dos doze, a serem sorteado, foi o saudoso dr. José Alves Nunes, advogado e por muito tempo o titular do Cartório de Registro e Hipotecas. Os demais foram: João Pedro de Oliveira, Jonas Washington Gustavo, Gregório Joaquim Evaristo, João Buceroni, Luiz de Souza Oliveira, Carlos Augusto de Araújo, Salvador Ribeiro de Matos, Tancredo Tasso Cardoso Gomes, Rodolfo Negreiros, Henrique Marchioni e Hipólito Alves Noronha.

Instituto nas férias

A direção do Instituto Histórico Antônio Eufrásio de Toledo está informando, intermédio, aos estudantes dos diferentes estabelecimentos de ensino e aos seus parentes, que a entidade, hoje uma importante referência no que diz respeito à divulgação dos acontecimentos do passado, também no mês de julho continua à disposição da classe estudantil com uma programação que mostra, nos dias de hoje, o desenvolvimento da nossa Bauru.

Serviço

O Instituto, que está localizado à rua Capitão Gomes Duarte, 13-41, atende de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 12h e das 13h às 16h30. Aos sábados, das 8h30 às 10h30. Informações poderão ser obtidas pelo telefone 234-2508. E-mail: ihaet@terra.com.br.

(*)Especial para o JC Cultura

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