Geral

Luta desigual

Carlos Braga
| Tempo de leitura: 4 min

Até quando vamos continuar assistindo passivamente ao aumento da criminalidade, acuados pela violência que a cada dia chega mais perto? Até quando vamos esperar do governo uma atitude mais consistente, um plano de ação mais efetivo, que realmente possa devolver a todos o tão almejado patamar de segurança e tranquilidade? Nas penitenciárias, as fugas são cada vez mais comuns e bandidos de alta periculosidade ganham novamente as ruas, aumentando ainda mais a insegurança das cidades. As quadrilhas estão a cada dia mais organizadas, mais armadas e mais audazes. O roubo de cargas está se alastrando por todas as nossas rodovias, com o alarmante dado de que só a região de Bauru, em seis meses, já atingiu o mesmo índice de roubos de todo o ano passado. O roubo de carros já se tornou um dos crimes mais comuns em todo o país, tendo atingido em Bauru o incrível índice de 7 carros por dia.

A ascensão do tráfico de drogas, que já tomou as favelas do Rio de Janeiro e a periferia de São Paulo, não está tão distante quanto parece. O mundo do tráfico se aproxima cada vez mais do nosso dia-a-dia, seja oferecendo drogas na porta nas escolas, seja assaltando para obter mais drogas para consumo dos viciados. Na verdade, observamos que os criminosos se organizam num verdadeiro império invisível e ameaçador, que a cada dia com mais frequência coloca seus tentáculos para fora e atinge de forma impiedosa a vida e o patrimônio dos trabalhadores. Diante desse quadro de horrores, que se apresenta todos os dias à nossa população, tanto ao vivo nas ruas, quanto nas páginas dos jornais ou na tela da tv, a indagação inicial se faz a cada dia mais premente: até quando?

É claro que a situação não se resume à dicotomia polícia versus bandido. Porque a violência avança no rastro da miséria, da desigualdade social e da falta de oportunidades de educação e emprego. Talvez nessa questão, os governantes se esqueçam de que a sociedade desigual que ajudam a promover acaba por gerar distorções que se voltam igualmente contra todos. E, nesse campo não só o Estado de São Paulo, mas todo o país ainda tem um árduo caminho a percorrer. A sociedade também pode fazer a sua parte, na conquista dessa necessária e almejada segurança, integrando-se aos projetos da Polícia Comunitária, um das muitas e bem sucedidas iniciativas da nossa Polícia Militar. Um projeto que sem dúvida coloca a nossa polícia em igualdade de condições com as práticas mais modernas e bem sucedidas dos países mais desenvolvidos. No âmbito da ação da polícia, também são muitos os exemplos daqueles que nos surpreendem com seu empenho em atender a comunidade na tentativa quase heróica - diante da gritante desigualdade de forças - de nos oferecer a vida tranquila e segura com que tanto sonhamos. Porém, diante de toda a organização criminosa, que se torna a cada dia mais fortalecida e mais audaciosa, é evidente para todos cidadãos e autoridades, que o governo precisa agir mais firmeza do que tem demonstrado.

Na Assembléia Legislativa, a Comissão de Segurança Pública apresentou uma indicação ao governador, propondo aumento da remuneração de todo o quadro efetivo da Polícia Militar do Estado, como forma de valorizar a corporação e reforçar a segurança pública. O aumento é justo e merecido e, sem dúvida, um fator de motivação para os policiais. Mas, não será nunca suficiente como ato isolado. O governo deve ainda investir num plano mais consistente. Um plano que contemple o aumento do efetivo da Polícia Militar, com melhores condições de trabalho, incluindo nisso, a qualificação permanente, armas compatíveis com as usadas pelo crime organizado, mais viaturas, mais postos rodoviários e mais policiais nas estradas. Enfim, oferecer à polícia os meios para que ela possa enfrentar a criminalidade tal como se apresenta hoje. Porque no futuro, o preço a pagar será muito mais alto do que o investimento necessário para que a polícia possa atuar em condições compatíveis com sua imensa responsabilidade na defesa da vida e da integridade da nossa população. (Carlos Braga é deputado)

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