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Isso é amizade!

(*) N. Serra
| Tempo de leitura: 3 min

Uma coincidência de destinos fez com que nos encontrássemos, um dia destes, numa escadaria de igreja, com um dos nossos bondosos amigos, o qual, no decurso de longo bate-papo, não perdeu oportunidade para fazer seus desabafos. Num deles revelou francamente que, de tempos a esta parte, habituara-se a realizar caminhadas pedestres todas as manhãs. Já chegara a caminhar, em determinados dias, cerca de dez quilômetros consecutivos. Nos primeiros dias de jornada, estranhara que ninguém dos que passavam por ele lhe desse um bom dia ou, ao menos, olhasse para seu rosto. Estaria certo isso? Será que todos poderiam fazer vistas grossas às trombadas com os outros? Entendia que não. Por isso passou a cogitar de mudar a rotina, tomando a iniciativa de tentar, por alguma maneira, educar os transeuntes para a cordialidade e até para a amizade. Fez isso várias vezes e, assim mesmo, muitos dos que passavam continuavam não lhe correspondendo. Contudo persistiu, inabalavelmente, e, então, pouco a pouco foi conquistando os passantes, desarmando-os de suas prevenções. Hoje, diz nosso amigo, todos já respondem aos seus cumprimentos e alguns até tomam a sua dianteira, antecipando-o no seu cordial bom dia.

E continuou o bom homem: O que aconteceu em minhas caminhadas, que, felizmente, acabaram educando dezenas de pessoas para a fraternidade, será que estaria ocorrendo também nas diferentes jornadas diárias de outras pessoas, por este mundo afora? Admito que não, pois nem todos perdem por aí o prazer e a educação de olhar para os outros, sorrir para eles e lhes dirigir uma palavra, uma palavrinha ao menos de afeição ou de respeito. E o amigo terminou surpreendendo-nos afinal com um pedido, dizendo: Você que é tão acatado como jornalista bem que poderia levar esse assunto para uma de suas matérias, defendendo as belezas do amor e da amizade. Prometemos atendê-lo e é o que aqui estamos fazendo, pois consideramos válido o pedido, que reveste o seu conteúdo de sobejas razões sociais, haja vista que prega exatamente a necessidade das pessoas se despertarem para gestos realmente fraternos. Temos, a propósito, para oferecer, em nossa modesta mesa de rabiscos, a nobre lição de um sociólogo, que incide bem sobre o assunto. Diz ele aos desprevenidos: Você chegou ao seu trabalho? Cumprimente seus colegas. Isso se chama Amizade. Deseje a cada um o melhor. Isso se chama Sinceridade. Acredite que tudo irá dar certo. Isso se chama Fé. Dê o melhor de si. Isso se chama Perfeição. Ajude aquele que tem mais dificuldade do que você. Isso se chama Doação. Receba as bênçãos com gratidão. Isso se chama Humildade. Deus está com você. Isso se chama Amor.

E aí está a matéria, a qual, dirigida igualmente a todos os seres que hoje ou amanhã se cruzem nos caminhos de Deus, deve ter deixado o nosso interlocutor plenamente satisfeito, pois é isso que ele e tanta gente deseja. E é também a nossa opinião.

(*)O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

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