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Bancários protestam contra terceirização

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Diretoria do Sindicato da categoria organizou manifestação contra empresa contratada pelo Banespa para prestar serviços

Com o objetivo de protestar contra a terceirização de serviços do Banespa/Santander, o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região realizou uma manifestação de cerca de duas horas em frente às novas instalações da empresa Transpev, prestadora de serviços que fechou contrato com a instituição financeira. De acordo com cartazes colados na fachada do estabelecimento, a entidade de classe acusa a transação de fraudulenta e passível de quebra de sigilo bancário.

O diretor do Sindicato, Marcos Aurélio Silvestre, explicou que a Transpev foi contratada pela diretoria do banco espanhol para prestar serviços tipicamente bancários, o que se constitui numa irregularidade, segundo ele. De acordo com a legislação, esses serviços não podem ser feito por quem não é bancário, salientou. Além disso, Silvestre alerta para o desrespeito das normas de sigilo. Pessoas não ligadas ao banco estarão trabalhando com informações de conteúdo sigiloso, que poderão vazar mais facilmente, o que derrubaria o conceito de sigilo bancário, salientou.

Silvestre destacou que a principal reivindicação do Sindicato é para que, ao invés de terceirizar o serviço, o banco contrate mais funcionários, com todos os benefícios que a classe tem, para a execução desses processos bancários. Os trabalhadores da empresa terceirizada recebem salários menores que o dos bancários para realizar serviços característicos do sistema financeiro, disse o sindicalista.

A Transpev possui 43 funcionários atuando em Bauru, segundo informações da gerência da empresa. Cerca de 25 empregados do Banespa começaram a atuar junto à empresa na última semana, depois que o acordo para a terceirização do serviço foi firmado.

De acordo com Adilson Garcia Bogalho, gerente regional da Transpev, eles estão utilizando o espaço para realizar serviços de retaguarda, como digitação por exemplo. O banco não é louco de colocar em risco as operações sigilosas. Essas informações ficam restritas às agências. Nós fazemos apenas no processamento de informações, disse.

A reportagem teve a oportunidade de conhecer as instalações da empresa, que ainda não estão concentrando todo o serviço contratado pelo Banespa/Santander. O local está recebendo os últimos retoques para, futuramente, abrigar todos os 43 funcionários da Transpev, que deverá se mudar em definitivo para o local.

Bogalho deixou claro que a manifestação dos bancários não é contra a empresa, mas sim contra o banco. Nós não estamos fazendo nada de errado. Fomos contratados pelo banco para fazer um serviço que já prestamos para muitas outras instituições financeiras, inclusive em Bauru. Não se trata de nenhuma operação ilegal, salientou Bogalho.

Ele disse que os manifestantes estavam apenas querendo chamar a atenção para um problema que eles deveriam ter resolvido com o banco anteriormente. Eles deviam ter barrado a privatização do Banespa. Como não conseguiram, não adianta agora tentar impedir que um banco privado terceirize seus serviços, ressaltou.

O gerente da Transpev disse que essa atitude do Banespa/Santander é uma tendência do setor financeiro, que está tirando de dentro das agências operações de base, como digitação, por exemplo.

Para embasar sua denúncia, o Sindicato dos Bancários apresentou algumas reportagens publicadas na imprensa recentemente que mostram a facilidade no vazamento de informações sigilosas a partir dessas empresas terceirizadas.

A Polícia Militar acompanhou a manifestação e tentou mediar uma negociação entre o Sindicato e o gerente regional da Transpev, Adilson Garcia Bogalho, que tentava impedir que os manifestantes atentassem contra a empresa. Eu sei que eles (sindicalistas) têm o direito de protestar. Só não quero que tomem atitudes violentas contra a empresa, como chutar a porta ou entrar aqui falando calúnias contra nosso trabalho, salientou Bogalho.

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