O Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, Centrinho, passará a atender os pacientes da Estação Especial da Lapa, um centro de reabilitação de portadores de deficiências com sede em São Paulo. O acordo para o atendimento em São Paulo foi firmado ontem à tarde, durante a visita da primeira-dama do Estado, Maria Lúcia Alckmim, ao Centrinho.
A primeira-dama é presidente do Fundo Social de Solidariedade de São Paulo (Fussesp), que mantém a Estação Especial da Lapa. Na visita, Maria Lúcia conheceu as instalações do Centrinho, acompanhou algumas pessoas ser atendidas e elogiou o trabalho do hospital. Ela disse estar feliz por ter conhecido o Centrinho e firmado a parceria que possibilitará um atendimento especializado na área de anomalias crâniofaciais e deficiência auditiva aos usuários da Estação Especial Lapa.
O superintendente do Centrinho, José Alberto de Souza Freitas, o Tio Gastão, disse que o atendimento será feito por profissionais da unidade descentralizada do Centrinho localizada em Santo André e pela equipe do trailer audiológico, que irá periodicamente à Estação Especial Lapa. Já os pacientes que precisarem de cirurgias, segundo Tio Gastão, serão encaminhados para o Centrinho de Bauru.
A Estação Especial Lapa atende, prioritariamente, pessoas maiores de 14 anos portadoras de deficiências da Capital e Grande São Paulo. A entidade oferece oficinas de lazer, esporte adaptado e cursos profissionalizantes. Por dia, são atendidas cerca de mil pessoas e a estimativa é que 20% dos usuários da entidade precisam de atendimento especializado feito pelo Centrinho.
Os pacientes serão atendidos gratuitamente e o Centrinho receberá pelos serviços prestados pela tabela do Sistema Único de Saúde (SUS). Tio Gastão disse que a parceria firmada ontem é importante porque o grande sonho do Centrinho é a descentralização do atendimento.
Em Bauru, conforme lembrou, o Centrinho atende pacientes desde o Acre até o Rio Grande do Sul e também de outros países. Cerca de 60% dos pacientes não são do Estado de São Paulo. A descentralização é fundamental porque o nosso paciente é um paciente permanente, que leva até mais de 20 anos para se reabilitar, disse.
A descentralização, explicou Tio Gastão, também facilita a prevenção a deficiências, uma área que o Centrinho está investindo. Ele contou que dois pesquisadores do hospital estão nos Estados Unidos aprofundando estudos para implantar no Centrinho um programa de prevenção à deficiência que prevê a distribuição de ácido fólico e multivitaminas às mulheres grávidas.
Nas Filipinas, que implantaram o programa, houve uma queda considerável no número de portadores de deficiências causadas pela falta dessas vitaminas, segundo Tio Gastão. Na visita às instalações do Centrinho, a primeira-dama conversou com a paciente Larissa Usbuti Sotto, 11 anos, moradora de Piracicaba e paciente do hospital há cinco anos.
A garota pediu ajuda na liberação de verba para a compra de aparelhos audiológicos que estão sendo esperados por pacientes do Centrinho. Larissa, que usa aparelho audiológico há dois anos, também aproveitou para pedir ajuda para a conclusão do prédio novo do Centrinho.