Estamos sendo golpeados, dia após dia, em nossa auto-estima de nação, com as atitudes desse governo sem direção. Não há mais probidade, dignidade de caráter, honradez, mais nada. A representação popular passa a ser meramente simbólica.
O governo edita medidas provisórias que são leis e, quando é contestado, o Supremo Tribunal Federal elimina qualquer reação contra a ordem do Poder Executivo, se sobrepondo ao Poder Legislativo.
No Jornal da Cidade de domingo (24/06/2001), o juiz Heraldo Garcia Vitta (aproveito para dar-lhe os parabéns) escreveu o artigo "A Globalização e o Estado de Direito", onde com muita propriedade cita o que está ocorrendo no nosso país e tenta despertar o patriota que existe em cada um de nós.
Confirmando o que foi descrito, o STF garantiu ao Ministério do Apagão as sobretaxas e cortes de energia elétrica, passando como um rolo compressor em cima dos seus oponentes.
Continuaremos (povo) a fazer economia de energia elétrica, independente das taxas e cortes, vamos tentar evitar o colapso do sistema.Afinal, alguém tem que ter responsabilidade nesse país. Não entendo também porque o STF dá o seu aval à medida e não exige que o governo esclareça a população das verdadeiras causas da crise energética.
César Benjamim (Autor de A Opção Brasileira),escreveu um artigo após conversar com quatro especialistas da área citando cinco aspectos para se entender a crise:
1)A decisão de privatizar nosso sistema energético era técnica e financeiramente injustificada.Foi tomada por motivos ideológicos e de subalternidade, pela expectativa de propiciar grandes negócios a alguns grupos, e pela necessidade de atrair capital para diminuir o desequilíbrio nas contas externas brasileiras no curto prazo.
2)Tal decisão embutia a necessidade, também técnica e financeiramente injustificada, de alterar nossa matriz energética, a qual não corresponde ao padrão tecnológico desejado pelas multinacionais.
3)Essa alteração implicava um absurdo evidente: o Brasil devia abrir mão de sua vantagem comparativa no setor, criando um simulacro de mercado, que nos ofereceria um produto mais caro. Passaríamos da hidreletricidade (barata e baseada em fontes internas) para a termeletricidade (cara e baseada em fontes externas). As decisões de investimento em energia, internas desde 1950, também se transfeririam para fora do país.
4)Para realizar essa operação, uma escassez controlada era não só tolerável, mas também desejável. Só uma expectativa de crise energética (artificialmente criada) justificaria levar adiante tal desatino.
5)Houve uma overdose. Politicamente, ela complica a operação. Porém, na prática, pode reforçar e apressar a transição desejada. Mais uma vez estamos perdendo o jogo estratégico. Embora a crise atual vá provocar um desgaste enorme, talvez irreparável, na imagem do sátrapa Fernando Henrique, ela emparedou o Brasil.Estamos sendo forçados a alterar nossa matriz energética na direção que o capital internacional deseja.
A oposição brasileira não tem estatura para virar o jogo. Em plena crise, Ciro Gomes exibia seu despreparo, especulando sobre uma jogada política de Fernando Henrique para distrair as atenções da CPI da Corrupção, como se os destinos do Brasil coubessem no mundinho medíocre da politicagem de Brasília. Itamar Franco acenava com uma resistência quixotesca e pontual, como é de seu feitio. Lula praticava seu esporte predileto: omitir-se em todas as grandes questões, principalmente naquelas que envolvem interesses poderosos (aliás,qual é mesmo sua posição sobre a ALCA?). Quem falou pelo PT, pouco antes da crise estourar. Foi o deputado José Genoíno, que deu garantias públicas e formais aos investidores estrangeiros (como eles exigiram) de que seu partido é contra o modelo estadista e, se for governo, não reverá as privatizações. Prefere pensar em bolsa-escola e miudezas em geral, que não interferem no grande jogo.
Com um governo desses e uma oposição dessas, o Brasil não tem nenhuma chance. Ninguém tem coragem de dizer o óbvio: é preciso retomar a soberania sobre o nosso sistema energético, custe o que custar. É uma decisão política e estratégica que se trata, uma decisão de Estado. Os técnicos saberão formatá-la da melhor maneira. Com a lanterna de Diógenes, procuro em vão, entre nossos políticos, um Homem para bancá-la. O povo apoiará. Pelo exposto, só nos resta, como cidadãos, tomarmos uma decisão coletiva de ser realmente patriota!! (Nildo Matos de Araujo - R.G.11.963.052)