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Empresas querem definir acordo

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Diretores da TUA e Kuba dizem que o sindicato está prejudicando os trabalhadores e os usuários do sistema

Os diretores das empresas de transporte coletivo TUA (Cidade sem limites) e Kuba (Baurutrans), Hélio Meneghin e Luiz Antônio Cavallaro, respectivamente, procuraram o Jornal da Cidade, ontem, para dizer que querem colocar um fim ao impasse nas negociações sobre o acordo coletivo dos trabalhadores da categoria, que já vêm se arrastando há cerca de 60 dias. Para eles, a direção do Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários (Sindtran) passou dos limites e tem tomado atitudes que estariam prejudicando a própria categoria, se recusando a aceitar qualquer outra proposta que não siga à risca as reivindicações feitas pela categoria, e a população.

Na manhã de ontem, mais uma paralisação de ônibus do transporte coletivo de Bauru foi realizada na avenida Rodrigues Alves, sob o comando do Sindtran. Dessa vez, a manifestação teve duração de aproximadamente uma hora, começando às 8h15. Segundo o sindicato, o motivo continua sendo a insatisfação da categoria em relação ao impasse nas negociações. Para os diretores da TUA e da Kuba, as paralisações feitas recentemente não estariam ajudando a categoria a atingir seus objetivos e ainda prejudicam os usuários do sistema de transporte coletivo.

Meneghin e Cavallaro disseram que a TUA e a Kuba irão ingressar com uma ação civil contra o Sindtran, alegando prejuízos causados à população com as últimas paralisações que têm sido realizadas na avenida Rodrigues Alves. Estamos contabilizando os prejuízos que estão sendo causados à população com essas paralisações e, oportunamente, ingressaremos com uma ação civil contra o sindicato. Essa história já foi longe demais, passou dos limites lógicos, aceitáveis e coerentes. Nós queremos que as discussões sejam levadas a dissídio para colocarmos um fim a esse impasse. Por que o sindicato não quer o dissídio? Porque a diretoria sabe que em nenhuma das cidades onde já foi discutido o acordo coletivo na Justiça foi fixado mais do que 6% de reajuste. Por que eles não fazem greve geral? Primeiro, porque não têm o apoio total da categoria, e segundo, porque como se trata de serviço essencial, com um dia de greve a Justiça considera ilegal e é instaurado o dissídio. Queremos dar um basta a essa situação, ressaltam os diretores das duas empresas.

Contudo, o fim dessa história parece ainda não ser avistado. Ontem, a diretoria do sindicato recebeu, oficialmente, a proposta da TUA e da Kuba, que é de 5,5% de reajuste salarial, mais o financiamento de 50% de um plano de saúde aos funcionários. O presidente do Sindtran, Elias Pinheiro da Silva, afirmou que a proposta foi veementemente negada. Questionado sobre o fato de o sindicato nem convocar uma assembléia para divulgar a proposta à categoria, Silva disse que seria vergonhoso fazer isso, porque a proposta está muito longe do que nós reivindicamos desde o mês de maio. De qualquer forma, os trabalhadores sabem de tudo o que está acontecendo, afirma.

Silva diz que o sindicato não irá abrir mão das reivindicações de que os salários fiquem nos patamares de R$ 729,30 para motoristas e de R$ 510,51 para cobradores; tíquete alimentação de R$ 100,00; jornada de trabalho de sete horas; 15% sobre a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) pagos em outubro deste ano, e mais 15% pagos em março de 2002, e plano de saúde financiado pelas empresas em 70% do valor total. Os diretores da TUA e da Kuba, Meneghin e Cavallaro, dizem que a proposta apresentada ontem é o máximo que pode ser viavelmente assumido pelas empresas.

Mobilização

Silva diz que as tentativas fracassadas de atrasar a saída dos ônibus na garagem da TUA e da Kuba, na semana passada e nesta semana, não obtiveram sucesso pelo fato das empresas pressionarem os funcionários com a presença de policiais. Meneghin e Cavallaro dizem que o fracasso se deve ao fato de que os funcionários de ambas as empresas não querem participar dessas mobilizações. A prova disso é que eles só conseguiram fazer paralisação, até agora, quando foram para a rua e pegaram os motoristas de surpresa. Depois que os primeiros ônibus param, através da ação dos sindicalistas, os outros não têm como fugir. Aliás, quem consegue escapar dessas paralisações já tem autorização. Quase todos os sindicalistas são da ECCB e, geralmente, eles é que começam a parar, afirmam os empresários.

Cavallaro e Meneghin dizem que em Bauru são pagos os salários mais altos entre outras dez cidades elencadas por eles em um levantamento, conforme mostra a tabela em anexo.

Procurado pelo JC, o gerente operacional da ECCB, José Edson Alves, disse que pretende apresentar uma proposta ao sindicato hoje.

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