Paralisação parcial atinge coleta de lixo, obras, educação e saúde; assembléia aprova manutenção do movimento
Cerca de 400 servidores públicos municipais, de um total de 4 mil, iniciaram, na manhã de ontem, um movimento grevista por tempo indeterminado. A categoria paralisou as atividades em protesto ao prefeito Nilson Costa (PPS), que se nega em atender uma pauta de reivindicações composta por 43 itens, dentre os quais reposição salarial de 25,6%.
Segundo a direção do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserm), o movimento se iniciou no Departamento de Apoio Operacional (DAO), por volta das 6h30. O setor escolhido pelos sindicalistas é estratégico. É de lá que partem os ônibus e veículos que transportam os trabalhadores para as frentes de serviço.
Idelma Alcântara, diretora sindical, informou que vários setores foram atingidos pelo movimento grevista, aprovado pela categoria em assembléia realizada no próprio local. São funcionários que trabalham na coleta de lixo, obras, educação, saúde, viveiro e zoológico municipal.
A sindicalista garantiu que a legislação está sendo cumprida, ou seja, 30% dos serviços de caráter essencial estão sendo mantidos. No caso da Prefeitura, enquadram-se nessa exigência a coleta de lixo e o setor de saúde, através de suas unidades básicas de atendimento e Pronto Socorro Municipal.
Logo no início da tarde, por volta das 14 horas, uma nova assembléia foi realizada e a categoria aprovou a manutenção da paralisação por tempo indeterminado. A Polícia Militar, que acompanhou a mobilização, não registrou incidentes. Hoje, a expectativa dos sindicalistas é de que a adesão ao movimento cresça.
Chamada de greve pipoca, devido a paralisação ser articulada de surpresa e por setores, a entidade sindical prepara, para hoje, mais uma tacada relâmpago, que poderá aumentar o número de servidores de braços cruzados.
Embora a paralisação tenha apenas começado, os sindicalistas avaliam o movimento como vitorioso. Alguns estavam até surpresos porque, tradicionalmente, o funcionalismo público municipal não tem um passado de mobilização para cobrar reivindicações. A última greve foi realizada em agosto de 98, mas a adesão foi pequena se comparada a de ontem.
A insatisfação da categoria piorou depois que o prefeito Nilson Costa decidiu, para cumprir legislação vigente, separar a previdência da assistência médica. Um projeto de lei encaminhado à Câmara propunha que o funcionário pagasse 30% do custo mensal do plano de saúde, com a Prefeitura assumindo os 70% restantes.
Sem garantia de aprovação, Nilson retirou o projeto da pauta de votação. Mesmo que fosse aprovado, a Prefeitura levaria 60 dias para contratar nova empresa com vistas a prestar o serviço. Desde a meia-noite da última terça-feira a categoria não tem mais direito a assistência médica.
Serviços de rua
Cerca de 180 dos 364 funcionários da Secretaria Municipal das Administrações Regionais (Sear) aderiram ao movimento grevista. A informação é do titular da pasta, engenheiro Celso Donizeti. Ele explicou que serviços como tapa-buracos, desobstrução de bueiros, capinação, entre outros, foram prejudicados pela paralisação.
Cumprimos só 30% da nossa planilha prevista para hoje (ontem), disse. A previsão da Sear era tocar 112 frentes de trabalho na cidade, que até foram viabilizadas, mas de maneira precária. Não tenho nada contra a greve. É um direito dos servidores e do sindicato. Mas a paralisação vai atrasar bastante os serviços que devem ser realizados.
Na opinião do chefe de Gabinete da Prefeitura, Antonio Sérgio Marsola, a mobilização dos servidores foi forçada por um ato truculento do sindicato. Eles bloquearam a saída dos veículos da Prefeitura e provocaram uma situação constrangedora entre os funcionários. Mas não vamos entrar no jogo deles.
Marsola disse que dos 4 mil servidores, cerca de 300 paralisaram as atividades. Ele reforçou o discurso do prefeito e avisa que para esse exercício a Administração não tem condição de reajustar salários. Se o prefeito quisesse cumprir à risca a lei, teria demitido até atingir o percentual determinado. Mas ele nos orientou para que a Prefeitura fosse se adequando aos poucos, sem demissões.