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Educação é organizada por frentes

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 3 min

Equipes estaduais e regionais de educação repassam informações aos coordenadores dos assentamentos e acampamentos

O Setor Educação foi instituído pelo MST em 1987, quatros anos após a fundação da organização. Atualmente, o setor está organizado em 23 dos Estados onde o movimento está presente.

As linhas de ação no setor educacional são definidas a partir da realização de reuniões do Coletivo Nacional de Educação, formado por representantes estaduais e que se encontra três vezes ao ano.

As linhas de ação são implantadas por meio das equipes de educação estaduais e regionais, que por sua vezes repassam as informações aos coordenadores de educação dos assentamentos e acampamentos.

Para viabilizar ainda mais as ações no setor educacional, impulsionando o conjunto, o MST organizou frentes de trabalho, são quatro: Frente de Educação Infantil (Ciranda Infantil), Frente de 1.º Grau, Frente de Educação de Jovens e Adultos e Frente de Formação dos Formadores.

A Ciranda Infantil envolve o conjunto de trabalhos que vão do período de gestação até atividades com as mães e as crianças, incluindo alternativas para enriquecer a alimentação e estudos sobre formas de educar os filhos.

A Frente de 1.º Grau envolve reunião e discussão com alunos, professores, pais e comunidade sobre a implementação de escola dentro dos acampamentos, a luta pela garantia e respeito pela proposta pedagógica desenvolvida para a necessidade dos filhos de trabalhadores rurais.

Essa frente defende, também, que escolas de 5.ª a 8.ª série adaptem seus currículos para a realidade e desenvolvimento do meio rural, fortalecendo nos adolescentes o amor por permanecer no campo.

A Frente de Educação de Jovens e Adultos luta para zerar o analfabetismo nos assentamentos e acampamentos. Não obrigamos ninguém a estudar, mas mostramos que não há nada melhor do que aprender. O ensino é fundamental, a base de tudo, afirma Reginaldo Moreira, coordenador de negociações externas do acampamento do MST em Brasília Paulista.

Já a Frente de Formação de Formadores é composta por pessoas que acompanham os conteúdos, a linha pedagógica, a linha de formação daqueles que estudam 2.º grau e ensino superior dentro da proposta do MST, caso do ITerra (Escola Técnica Josué de Castro), escola de nível médio mantida nas dependências cedidas pelos Capuchinhos em Veranópolis (RS) e que funciona em regime de cooperativa.

Princípios

No MST, a educação é valorizada porque o movimento a entende como meio de transformação social e abertura para o mundo e para o novo. Por tudo isso, a organização defende a educação para o trabalho e a cooperação, para as várias dimensões da pessoa humana e como processo permanente de formação e transformação humana.

Como princípios pedagógicos, o MST pensa que a educação deve estabelecer relação permanente entre a prática e a teoria, utilizar a realidade como base da produção do conhecimento, fornecer conteúdos formativos socialmente úteis, educar para o trabalho e pelo trabalho, estabelecer vínculo orgânico entre processos educativos e processos políticos/produtivos/culturais, ser gerida democraticamente, promover atitude e habilidade de pesquisa, entre outros.

Universidades

Para estimular e viabilizar a formação de jovens em carreiras universitárias, o MST mantém parcerias e convênios com mais de 40 universidades e outras instituições, como a Confederação Brasileira de Bispos do Brasil (CNBB), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciências e Cultura (Unesco) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Entre as universidades, o MST é parceiro da Escola Latino-Americana de Cuba, onde estudam 25 filhos de trabalhadores rurais. Em Cuba, há estudantes de filosofia e agronomia. Graças a parcerias como esta, diversos filhos de assentados já se formaram em universidades e hoje atuam em atividades no MST como agrônomos, jornalistas, professores e pesquisadores.

No Brasil, outros convênios foram firmados com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Federal de Juiz de Fora, que oferecem, nas férias, cursos intensivos sobre realidade brasileira a jovens do MST.

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