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Rolfing busca alinhar num eixo vertical

Redação
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Outra modalidade de tratamento para os problemas de coluna é o Rolfing, que entende o corpo humano como um conjunto de partes que se encaixam e trabalham juntas conforme um padrão, uma ordem. Estas partes formam uma estrutura móvel que, se não estiver bem organizada, resultará em desconforto físico. A proposta do Rolfing é alinhar e equilibrar esta estrutura considerando a força da gravidade, permitindo que o corpo funcione com mais eficiência, fluidez e plasticidade. Portanto, Rolfing é uma técnica voltada para a integração estrutural.

A Associação Brasileira de Rolfistas define o Rolfing como um sistema de restruturação corporal e educação pelo movimento, ou seja, por meio de manipulação apropriada, o rolfista vai liberando segmentos corporais, como pernas, quadris, tórax e cabeça de seus habituais padrões de tensão, realinhando-os à gravidade, dando amplitude aos movimentos.

Mas quem faz isso é o próprio corpo. O rolfista só ajuda, salienta a rolfista Raquel Motta. Segundo ela, a técnica consiste em manipular uma camada do tecido humano chamada fáscia, que é a roupa dos músculos, responsável pela sustentação da estrutura.

O objetivo é esticar este tecido, permitindo que a musculatura tenha mais espaço para se movimentar. Quando os músculos ganham mais espaço, os ossos também ficam mais livres e o paciente adquire maior flexibilidade e leveza. Aos poucos, a própria fisiologia do corpo vai se reorganizando e mudando a postura do paciente, disse.

Motta explicou que é preciso sensibilizar o indivíduo para perceber melhor seu próprio corpo e como as partes de relacionam. Para isso, são feitas entre 10 e 15 sessões de 1,5 hora cada. Leva algum tempo para isso se estabelecer, porque a pessoa já tem uma certa educação de movimento. Quando terminam as sessões, depois de três meses o corpo ainda vai estar se reorganizando, ressaltou.

Indagada a respeito da necessidade de manutenção do Rolfing, Motta explicou que esta é uma opção do paciente. O corpo não é estático. Na vida, acontecem coisas - acidentes, trabalho, estresse, traumas - que moldam o corpo da pessoa, inclusive o convívio familiar, a personalidade, as emoções, a cultura. Quando acabam as sessões, o paciente é orientado a praticar atividades físicas determinadas, para manter a amplitude dos movimentos. Mas se ele sente alterações mais tarde, pode voltar e fazer mais algumas sessões, afirmou.

O Rolfing foi desenvolvido pela cientista e bioquímica norte-americana Ida Rolf (1896-1979), que atuou por muitos anos na Universidade de Colúmbia. De acordo com Raquel Motta, a terapia miofascial já era usada como técnica fisioterapêutica.

A diferença é a ordem de intervenção que Ida propôs, que são os princípios do trabalho. Então, a pessoa chega reclamando de dor no pescoço, você olha para ela e vê que o tornozelo dela não dobra. O tornozelo é um suporte, que precisa estar organizado. Então, eu já aviso que o pescoço não vai melhorar na primeira ou na terceira sessão, porque temos que melhorar o suporte primeiro, explicou.

Segundo ela, o Rolfing não trata diretamente os sintomas, mas devolve o corpo ao eixo mais adequado. Trabalhando o suporte, depois de algumas sessões fica mais fácil corrigir o desvio que causava a dor no pescoço. Mas veja bem: alinhar num eixo vertical não significa ficar reto, porque a coluna vertebral não é reta. É estar alinhado da maneira que aquele corpo possa funcionar com a maior eficiência possível.

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