As duas empresas protocolaram novas propostas, ontem, no Ministério do Trabalho. Sindtran será notificado
As empresas TUA e Kuba, integrantes do sistema de transporte coletivo de Bauru, protocolaram, ontem à tarde, no Ministério do Trabalho (MT), uma nova proposta referente ao acordo coletivo dos trabalhadores da categoria. Segundo o coordenador do MT, Sílvio Carlos de Lima Pereira, consta no documento apresentado ontem que ambas as empresas passam a oferecer um reajuste salarial de 7% - ao contrário dos 5,5% da proposta anterior, que foi suspensa - e a retirada do financiamento de 50% de um plano de saúde aos funcionários. O presidente do Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários (Sindtran), Elias Pinheiro da Silva, será notificado oficialmente, pelo MT, hoje.
De acordo com Pereira, depois que o presidente do sindicato for notificado sobre a nova proposta, ele poderá, se quiser, apresentar a sua resposta por escrito. Se a diretoria da entidade considerar necessário, poderá convocar uma nova mesa-redonda, no Ministério do Trabalho, para discutir a atual proposta.
Paralelamente a isso, ontem a diretoria do Sindtran teve uma reunião com o advogado e com o gerente operacional da Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB), José Edson Alves. A empresa manteve a proposta de 5% de reajuste e o tíquete alimentação no valor de R$ 80,00, que já é pago aos funcionários. Porém, não houve avanço nas negociações, já que o presidente do sindicato disse que continuará lutando pelo tíquete a, pelo menos, R$ 100,00.
De acordo com Silva, o anexo 7, letra B, do edital de concessão sobre prestação de serviços de transporte coletivo de Bauru, datado de 1996, contempla, na composição dos custos das empresas, R$ 120,00 de benefícios sociais. Em função do que está previsto no edital de prestação de serviços de transporte coletivo da cidade, nós vamos buscar este benefício, custe o que custar. Além disso, pelo fato das negociações se tratarem de empresas que prestam o mesmo tipo de serviço, remuneradas pela Emdurb com os mesmos critérios, não há nenhuma razão para que os trabalhadores dessas empresas tenham salários, condições de trabalho e benefícios sociais diferenciados. Por tudo isso, continua o impasse com as três empresas, disse Silva.
O presidente do Sindtran ressaltou que o salário dos cobradores da TUA e da Kuba é de R$ 425,50, enquanto que os da ECCB já receberiam R$ 464,13. Nós buscamos a equiparação dos salários, reafirmou. Segundo Silva, o sindicato realizou um estudo que mostra que, em 1996, os motoristas do sistema de transporte coletivo de Bauru tinham salário de R$ 540,00, e os cobradores, de R$ 341,00. A tarifa era de R$ 0,50, eram transportadas cerca de 4,2 milhões de pessoas e a receita do sistema seria de R$ 2,1 milhões.
Neste ano, o salário dos motoristas foi para R$ 663,00. Os cobradores da ECCB passaram a receber R$ 464,13, e os da TUA e da Kuba, R$ 425,50. A tarifa subiu para R$ 1,00, o que siginificou um reajuste de 100%, enquanto que os salários tiveram reajuste de apenas 20%. A quantidade de usuários caiu para 3,1 milhões, mas, mesmo assim, a receita do sistema está chegando a R$ 3,1 milhões por mês. Nós não vamos admitir que o trabalhador tenha que pagar por tudo isso, disse Silva. Segundo ele, o piso que está sendo solicitado pelo sindicato para cobradores e motoristas corresponde a cerca de 10% de reposição salarial e que esse mesmo índice está sendo reivindicado para que seja aplicado aos salários dos demais setores das empresas, que são o administrativo e o de menutenção.
Em relação à manutenção da proposta já apresenatda pela ECCB, o gerente operacional, José Edson Alves, disse que o tíquete alimentação é financiado pela própria empresa, já que não seria reconhecido pela Emdurb, que por sua vez, não remunera a ECCB por isso. Portanto, não seria possível aumentar esse valor.
Alves também afirmou que o reajuste salarial de 5% é o que está estabelecido na planilha de custos apresentada pela gerenciadora do sistema. Dessa forma, qualquer coisa que oferecermos acima desses 5%, terá que sair do caixa da ECCB e não é possível fazer isso. Essa proposta é o que podemos assumir, afirmou o gerente operacional da ECCB.