A Estação Aduaneira Interior (Eadi-Bauru), administrada pela Companhia Paulista de Armazéns Gerais Aduaneiros/Exportação e Importação (Cipagem), recebeu, ontem, a primeira carga em seu desvio ferroviário concluído recentemente, que vai possibilitar a ligação intermodal entre a área atendida pela Eadi com países do Mercosul e a Bolívia, facilitando as operações de exportação e importação.
O diretor comercial da Eadi, Antônio Grillo Netto, engenheiro com experiência em operação ferroviária, destaca que, além de uma ligação direta com o mercado boliviano, o desvio ferroviário possibilita acesso aos portos de Santos (via Ferroban) e Paranaguá (via ferroria América Latina Logística - ALL). Além disso, a ALL permite ligação da carga ferroviária com a Argentina, Uruguai e Chile. Para este último país, o transporte é feito via Mendoza, na Argentina, com um complemento rodoviário na região da Cordilheira dos Andes, até chegar a Santiago.
Outra opção de ligação com os países do Mercosul é por meio da intermodalidade entre ferrovia e hidrovia, com cargas partindo do Uruguai, Argentina e Paraguai, através dos rios Paraná e Paraguai, chegando até Corumbá, de onde podem seguir de trem até Bauru, e vice-versa. Essa intermodalidade hidroferroviária pode ser a solução para muitos empresários, com um custo bem atrativo, afirma Grillo Netto.
A primeira carga de minério foi enviada pela empresa boliviana Copla Ltda. Importación y Exportación, com sede em La Paz, que deve se utilizar da Eadi-Bauru para a exportação de 10 mil toneladas de ulexita para o Brasil. A carga será trazida por meio do desvio numa média de duas composições ferroviárias por semana, com cerca de 250 toneladas cada uma, até dezembro deste ano.
Além do contrato com a Copla, a Estação Aduaneira vem recebendo uma série de consultas referentes a exportações bolivianas para o Brasil, em especial o Estado de São Paulo, que tem o primeiro (Região Metropolitana) e segundo (Interior de SP) maiores mercados consumidores do Brasil. São produtos como o excedente da produção de feijão daquele país, entre 5 mil e 10 mil toneladas nesta safra, além de laranjas in natura para uma empresa de suco de frutas do Interior Paulista.
De acordo com Grillo Neto, estima-se que o comércio exterior exportador do Brasil para a Bolívia fique em torno de US$ 500 milhões por ano, contra uma importação (exceto o gás natural) de aproximadamente R$ 30 milhões em produtos como madeira, alho, feijão, minerais, entre outros.
O diretor comercial da Eadi-Bauru participou de uma audiência com o cônsul adjunto da Bolívia, em São Paulo, recentemente. Na oportunidade, o diplomata foi informado da existência do desvio ferroviário na e das vantagens que pode proporcionar numa operação bilateral entre empresários do Brasil e da Bolívia. Existem muitas vantagens que podemos oferecer. O valor de armazenamento da Eadi-Bauru é bastante competitivo em relação ao mercado, possibilitando a entrepostagem dos produtos, de forma que esses empresários possam desenvolver um trabalho comercial da melhor qualidade e com boa pesquisa de mercado, visando apurar uma venda bem-sucedida dos produtos. A entrega também é bastante rápida, pois a liberação da Eadi-Bauru é realizada de uma forma bastante ágil, ressalta Grillo Netto.
O diretor comercial da Estação Aduaneira revela que várias empresas brasileiras que têm negócios de exportação com a Bolívia já consultaram os custos da Eadi-Bauru para a remessa de suas mercadorias através da ferrovia.
Desvio ferroviário
A Eadi-Bauru tem uma plataforma ferroviária de 120 metros de comprimento, capaz de alojar nove vagões. O desvio, de aproximadamente 900 metros, está interligado à ferrovia Novoeste S/A, antiga Malha Oeste da RFFSA, que liga as cidades de Bauru (SP) e Corumbá (MS), na fronteira com a Bolívia.
Em razão de um acordo bilateral entre a Novoeste e a ferrovia boliviana, os vagões que partem de Bauru podem entrar no território boliviano sem a necessidade de baldeio (troca de vagões), apenas com a substituição da tração (locomotiva) em Corumbá. A carga pode seguir até Santa Cruz de La Sierra, onde termina a Rede Oriental Boliviana.