Dezenove anos depois do assassinato de Azarias Leite, que aconteceu no dia 19 de outubro de 1910, Bauru foi sacudida com a notícia de outro crime violento, ou seja, a morte do então prefeito - José (Juquinha) Gomes Duarte - político dos mais conceituados, o qual estava comandando os destinos da nossa cidade, desde 22 de janeiro de 1926, sendo que em períodos anteriores por duas vezes também chefiou o Executivo, porém em pequenos espaços de tempo.
Transcorridos 72 anos do trágico acontecimento, e pelo fato de ser uma ocorrência ligada à história da Sem Limites, reproduzimos a seguir, parte da notícia publicada no dia 12 de julho de 1929, pelo Correio de Bauru, cujo diretor era Manoel Sandin, jornal este que em outubro de 1930 foi destruído pelos correligionários de Getúlio Vargas, ao término da revolução que conduziu aquele político à chefia da Nação.
Descrever a cena brutal e selvagem que ontem se verificou em pleno coração da cidade, na rua principal e mais movimentada de Bauru, é tarefa demasiadamente difícil e profundamente dolorosa para um repórter, embora afeito às emoções mais violentas. O capitão José Gomes Duarte saiu da Câmara Municipal e encaminhou-se para a rua Batista de Carvalho. Parando na esquina do jardim, onde entreteve ligeira palestra com alguns conhecidos seus, seguiu em ato contínuo em direção ao Salão Silva.
Mal havia dado alguns passos quando, ao defrontar a bomba de gasolina da Casa Lusitana, recebeu no ombro esquerdo uma amistosa palmada de Moacyr de Almeida. Supondo que fosse algum amigo íntimo, o capitão Gomes Duarte voltou-se risonho e jovial para aquele que lhe embargara os passos, recebendo nesse momento, um tiro de revólver em pleno peito.
Surpreendido com tão inopinada e covarde agressão, só teve tempo de levar a mão ao ferimento, caindo desamparadamente de costas, sobre o calçamento. Foi nessa ocasião que Moacyr, cuja fisionomia era absolutamente calma, lhe disparou mais dois tiros que atingiram a vítima na cabeça e outro na mão.
Na trajetória da política bauruense, esse acontecimento não deixa de ser um capítulo histórico, entre tantos outros que nos tempos antigos foram páginas de triste memória. Se muitos fatos marcantes, dentro dos lances do passado, serviram para enaltecer a nossa Bauru e por nós divulgados com destaque, os lamentáveis episódios igualmente não podem ser esquecidos, pois eles fazem parte da caminhada da nossa cidade.
Serviço
Melhores detalhes sobre esse acontecimento, poderão ser obtidos no Instituto Histórico Antônio Eufrásio de Toledo, localizado na rua Capitão Gomes Duarte, n.º 13-41. Atende de 2.ª a 6.ª feira, das 8h30 às 16h30. Aos sábados, das 8h30 às 10h30. Informações poderão ser obtidas pelo telefone 234-2508. E-mail: ihaet@terra.com.br.
(*) Especial para o JC Cultura