Geral

História de Pescador

(*) Paulo Roberto Bellin
| Tempo de leitura: 1 min

O "unhudo" está de volta

Alguns meses atrás, o Jornal da Cidade publicou o aparecimento de um monstro, na cidade de Dois Córregos. Ele tinha unhas grandes, chifres e podia jogar uma pessoa à distância com um só assopro. Ele ficou sendo chamado de unhudo, e estava apavorando toda a cidade. Todo mundo achou engraçado e acabou virando piada.

Bem, engraçado ou não, estávamos nós pescando em Clavinote, no município de Avaí, quando nosso amigo Zé Gordo chegou no acampamento quase sem fala, com a roupa toda rasgada, com braços e pernas arranhadas. Ele caiu no chão e desmaiou. Luizão, que chefiava o grupo, pegou uma lata de água e jogou sobre seu rosto. Ele se levantou meio grogue e começou a gritar: monstro, tem um monstro atrás de mim! Feio e com um chifre enorme e unhudo.

O pânico foi geral, aquele corre-corre danado. Passei a mão em um facão, liguei o farolete e fomos descobrir o que realmente tinha acontecido. Chegando no barranco onde Zé Gordo estava, encontramos o monstro: uma garrafa de cachaça e uma dúzia de latas de cerveja vazia. A cem metros do local, uma moita enorme de arranha-gato cobria todo o terreno, com muitos pedaços da camisa dele. Estava descoberto o misterioso monstro. Voltando ao acampamento, foi aquela algazarra. Zé Gordo, já lúcido, não entendia o porquê do sarro, até que tirei da mochila a garrafa de cachaça vazia e disse: eis aqui o monstro.

Ele virou para mim e diz: Sim, eu tomei essa cachaça, mas o monstro eu vi, ele me jogou na moita com um assoprão....

Paulo Roberto Bellin é pescador e contador de histórias

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