O respeito ao código, que inclui não roubar, não estuprar e não cobrar pedágio, garante a integridade física dos moradores.
Não roubar, não estuprar, não cobrar pedágio e nem tirar vantagem dos mais humildes e idosos. Estas são as regras de convivência impostas aos moradores do núcleo habitacional Fortunato Rocha Lima, Zona Noroeste, que ganhou fama e espaço na mídia nacional e latino-americana por sua proposta ousada de erradicar as favelas de Bauru. No bairro, hoje habitado por mais de duas mil pessoas, o respeito ao código é garantia de integridade física e de uma tranqüilidade até pouco tempo desconhecida.
A ânsia política pôs por terra a essência do projeto, que era entregar as moradias erguidas em mutirão e oferecer um acompanhamento sócio-educativo aos moradores, no sentido de habituá-los ao novo estilo de vida. Na prática, nem mesmo a primeira parte foi cumprida como deveria. Muitas casas foram entregues inacabadas, permitindo o retorno da precariedade que se buscava combater, e um sem-número de pessoas que não participaram do projeto tomaram para si as moradias, numa invasão sem precedentes que até hoje gera problemas.
O controle do poder público sobre a situação ficou tão fragilizado que o bairro passou a ser comandado por marginais. Há quatro anos, entrar no Fortunato era proeza exclusiva da polícia, que também não possuía estrutura para impedir as ocorrências registradas no local. Homicídios, estupros, lesões e cobrança de pedágio (dinheiro exigido pelos bandidos aos próprios moradores) eram comuns. O negro período durou o suficiente para formar a imagem negativa do bairro, até hoje visto - injustamente - como o mais violento da cidade. O estigma ainda prejudica a imensa maioria dos moradores, honestos e trabalhadores, que dificilmente encontra emprego por conta do endereço.
A calmaria hoje vivida no Fortunato é atestada pela própria polícia, que confirma a redução drástica no número de delitos (veja os registros deste ano na página ao lado) na página ao lado. A corporação atribui a tranqüilidade ao trabalho de intensificação das rondas e abordagens, que resultou na prisão da maior parte dos marginais que morava no bairro. Há, porém, quem discorde dessa versão.
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