Uma turminha legal esteve freqüentando, na semana passada, o primeiro curso de fotografia, ministrado no Centro Cultural Carlos Fernandes de Paiva (Mestre Cirilo). A pouco mais de um mês, foi inaugurado o laboratório fotográfico que vai auxiliar os alunos do projeto escola e outros cursos do Centro Cultural a descubrir a fotografia. O Jornal da Cidade é um parceiro na montagem do laboratório, pois doou o ampliador Fuji e tem colaborado com outros equipamentos. Agora a meninada vai mergulhar no mundo mágico da fotografia e registrar, em preto e branco, momentos importantes de suas vidas. Cada um, com seu olhar diferente das coisas, vai poder criar o seu recorte da imagem.
Quem está cuidando da turminha é a arte-educadora Kátia Helena de Oliveira, 31 anos. Ela explica que a primeira turma de fotografia, usando uma latinha, está conhecendo o princípio do processo fotográfico da câmara obscura. É uma lata vazia toda preta, com apenas um furinho, por onde passa a luz e sensibiliza o papel fotográfico, simplifica.
A meninada esteve interessada durante todo o curso. Rafael Alexandre Lopes Ferreira, 11 anos, teve, pela primeira vez, um contato mais próximo com o processo fotográfico. Em apenas uma tarde já aprendeu bastante. Aprendi a fotografar com a latinha e a revelar a foto, foi ótimo, conta Rafael.
O Caio Augusto Rabello Gobbo, 8 anos, também está aproveitando o curso. Achei legal fazer a máquina de lata e depois ver a foto.
Carlos Alexandre Domingues, 9 anos, que é aluno de capoeira do Centro Cultural, explica como funciona: A gente coloca o papel fotográfico por dentro da latinha e abre o furo para a luz entrar. É preciso estar de costas para o sol na hora de tirar a fotografia, ensina.
Rudá Andrade dos Reis, 10 anos, lembra o cuidado com a quantidade de luz no local onde você vai fazer a sua foto. O tempo que o furinho da lata fica aberto depende do sol. Se é o sol do meio-dia, por exemplo, a gente conta até 3, se o dia estiver mais escuro, precisa contar até 5, 6. Quanto mais claro, menos tempo aberto o furinho, mais escuro, mais tempo, exemplifica.
Já o Lucas Rodrigues Alves da Silva, 11 anos, observou a importância de segurar com firmeza a latinha. A gente não pode tremer, porque a foto sai toda tremida. Tem que segurar bem e só pode mexer depois que fechar o furinho novamente, comenta Lucas.
A Juliana Matheus Ferraz, 6 anos, é a mais nova da turma. Ela gostou muito de fazer a sua máquina fotográfica. Eu pintei toda a latinha com pincel, por dentro e por fora.
O Felipe Góes de Moraes, 10 anos, já tinha visto uma máquina de lata, mas nunca tinha usado. Gostei de conhecer como faz e quero continuar o curso.
A Jéssica Matheus Ferraz, 9 anos, descobriu o curso por acaso. Eu estava brincando na Brinquedoteca, porque a aula de balé já tinha acabado, e aí a Kátia convidou a gente. Agora quero fazer fotos em casa também, conta.
Respondendo a pergunta da Jéssica, a arte-educadora explica que mesmo não tendo um ampliador em casa, é possível fazer a fotografia de uma forma mais simples. O importante é conhecer o princípio da fotografia. É provável que no segundo semestre, a gente faça um curso de ampliador caseiro, que não é muito difícil, comenta. O que dificulta o trabalho em casa são as químicas usadas na revelação do papel, pois são fortes e precisam ser acompanhadas por adultos que conheçam o material.
O Ricieri Fornazari Filho, 8 anos, também foi pego de surpresa e aproveitou a oportunidade. Eu estou fazendo várias coisas nas férias, fui viajar para São Paulo, vou participar de uma oficina, no Sesc, e agora estou fazendo o curso de fotos com a lata, conta.