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CIDADES DA MODA, DO MEDO, DO MOLOSSO

(*) Hesso Maciel
| Tempo de leitura: 3 min

Na solidão obscura de mais um feriado, saio a caminhar para aliviar a tensão, o medo, a tristeza de ser solitário. Procuro esquecer que estamos nos últimos tempos e que a humanidade violenta se engalfinha e se mata como nos primórdios. É ainda um mundo de primatas, onde os machos desvairados pela alucinação testosterônica põe para fora a fera. Ficamos a mercê de lobisomens a qualquer hora do dia. Ficamos à mercê de estupros ou tapinhas, e isso vale para ambos os sexos. E também do ataque dos molossos (filas, pitbulls, dobermans, rothweillers etc.), esses enormes cães adestrados por homens pequenos de mente e alma. Adestrados para atacar, saciando a sede de sangue dos donos. Voltando para casa, vejo os garotos de boné e calções maria-mijona, estandartizados pela moda, levam no sangue o fluido da violência assassina, que praticam através dos seus pobres comandados, a animália criada para matar.

E temo por mim, pelos cães dóceis que protejo, e com os quais não se pode sair mais, pois os molossos atacam nossos filhotes no pescoço, na jugular onde a vida corre. É a moda do medo, e meu coração bate como asas de pássaro solto. Sempre sei antes, eu sempre sou avisado pelo anjo. Estaco já em guarda, quando um dos rapazes (14, 15 anos) começa gritar (à frente o pai, conduzindo outro monstro enorme). O menino grita seu sem vergonha!!. E açula o enorme rottweiller, grande como um tanque de guerra negro. Percebo estar diante da célebre fúria dos justos. Eles sentem-se no direito de justiçar meu jeito e meu lado. Minha aparência androgênica e alienígena. No auge da moda, tentam esconder sua mediocridade e frustrações com violência.

Correndo, atravesso a rua e me refugio em um bar movimentado, o Pé de Varsa, e sua alegria de gente cantando, envolvido pelo som e o cheiro de churrasco. Gente vivendo pacífica enquanto assassinos passeiam incólumes. E as autoridades? Por que não fazem cumprir as leis? Pelo menos de colocar fucinheiras nos canzarrões. Quantas mulheres e criancinhas terão que ser mortas e mutiladas até que se cumpra a lei? Até quando viveremos mais esse medo? Em outra vez, ao sair do meu portão com Hazel, minha poodle, só tive tempo de erguê-la no ar e me jogar para dentro de casa ante o repentino ataque de outra fera gigante não contida pelo dono.

Ainda com Hazel, fomos atacados por um fila que pulou o muro na frente dos donos indiferentes. O galho que eu trazia vibrou na carantonha do bicho, que saiu ganindo. De outra feita, próximo a ITE, sinto o perigo, olho para trás e lá vem o demônio conduzindo Cérbero atrás de nós. O rapaz tentava nos alcançar com um pitbull e intenções definidas. Com Hazel nos braços corri e corri. E corri mais, graças a Deus! Na minha rua, percebo que o rapaz com o fila tigrado está com a coisa ruim. Procuro atravessar a rua, ele açula o cão contra mim. Jogo-me entre os carros. Um ônibus passando impede que a fera me pegue.

Mais, com a minha Miranda, já doente e fraca, passamos por dois moços de boné lavando o carro. Do portão aberto vem correndo um pitbull que ataca Miranda e crava os dentes, por sorte, no abrigo que ela usava; tempo suficiente para que eu o pusesse para correr com violenta paulada, do caibro que eu portava. Os moços gargalhavam. Peguei Miranda nos braços. A mãe deles foi quem resolveu o caso, segurando o bicho quando voltava a atacar. É isso. Não vou me estender às agressões sofridas apenas por humanos. Mas especialmente a essa moda diabólica de desfilar com molossos e atirá-los sem motivo, por projeção ou divertimento contra pessoas indefesas. Nota - Nessa 5ª, 16 de maio, precisei correr do supermercado em casa perseguido por dois rapazes com dois pitbulls. Uffa!! (Hesso Maciel - RG: 4.161.922)

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