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Impasse resulta em paralisação de trabalhadores da construção civil

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Cerca de 60 funcionários da Sat Engenharia estão paralisados, por tempo indeterminado, segundo informações do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Bauru e Região. Segundo o presidente do sindicato, Cláudio da Silva Gomes, os motivos do descontentamento dos trabalhadores seriam os atrasos no pagamento dos salários nos últimos meses, bem como o não recebimento, até ontem, da cesta básica e do vale-transporte de julho e o impasse nas negociações sobre o acordo coletivo da categoria.

O encarregado de pessoal da empresa, Aires Belone Júnior, afirma que somente em junho os pagamentos foram efetuados com um pequeno atraso, que o vale-transporte referente à julho já foi pago a todos os funcionários e que o prazo final para a entrega da cesta básica é o dia 20 desta semana. Os vales-transporte foram devidamente pagos e a cesta básica tem prazo de entrega até o dia 20. Em relação aos atrasos nos pagamentos, quando houve algum foi de, no máximo, dois dias e isso não ocorreu durante seis meses, como diz o sindicato. Às vezes, pagamos até antes. Somente no mês passado houve um atraso um pouco maior devido a alguns problemas. Não estou entendendo porque o Cláudio Gomes está insistindo nisso, diz Belone Júnior.

De acordo com Gomes, o pagamento dos salários dos funcionários da Sat estariam sendo efetuados com atraso nos últimos seis meses e que o Ministério do Trabalho já teria autuado a empresa várias vezes. Além disso, nas negociações sobre o acordo coletivo o sindicato está pedindo 7% de reajuste salarial - índice da inflação medida pelo INPC no período de maio de 2000 a abril de 2001, já que a data-base da categoria é maio -, piso de R$ 391,60 para trabalhadores sem qualificação e de R$ 481,80 para os qualificados.

Ontem, segundo Belone Júnior, a empresa apresentou uma proposta de 4,2% de reajuste mais um abono de R$ 13,00 para ser incorporado ao salário de cada funcionário. Porém, não foi aceita pelo sindicato. O presidente da entidade diz que o sindicato de Bauru já não participou do acordo coletivo assinado entre o SindusCon (patronal) e a Federação dos Trabalhadores de São Paulo (Feticon) por considerá-lo prejudicial à categoria e que a contraproposta da Sat não seria boa. Por isso, continuarão insistindo na pauta de reivindicações apresentada à empresa.

De acordo com Gomes, outros cerca de 200 funcionários que estariam trabalhando em obras da Sat em Itaquaquecetuba, no litoral de São Paulo, também estão paralisados. Em função dos impasses nas negociações com a Sat, o movimento de paralisação que começou lá poderá se alastrar para outras empresas filiadas ao SindusCon que também não concederam o reajuste salarial. O sindicato está em negociação com outras empresas e, caso não haja sucesso, os trabalhadores serão convocados para que se juntem ao movimento que começou nesta segunda-feira, diz Gomes.

Belone Júnior afirmou que ontem, após a Sat ter apresentado sua contraproposta para o acordo coletivo, foi feita uma reunião com os funcionários e que nenhum teria reclamado nem da falta do pagamento, nem do vale-transporte. Os funcionários não reclamaram de nada durante uma reunião feita hoje (ontem). Aliás, vários deles já voltaram a trabalhar. O sindicato é que está pressionando os trabalhadores, diz.

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